Versão Impressa

Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 19/05/2016

Debate político e a retórica limitada ao passado

A “grenalização” da política nos embates entre militantes atinge níveis caricatos. Não é de hoje, claro. Mas o uso de retóricas do passado para respaldar ações, defender governos e alienar militantes tomou proporções exageradas. Contextualizar é sempre importante. Mas viver das sombras do passado é dramático.

Passou da hora de avançarmos. Seguir limitando as retóricas ao passado do inimigo torna nosso futuro político e governamental cada vez mais incerto. É preocupante essa intensa troca de “perspectivas” por “justificativas”, quase sempre se resumindo às velhas e conhecidas escusas.

O uso dessa retórica não é exclusivdade de governo A ou B. É indistinto. Quando ainda ostentavam o poder, e principalmente em período pré-eleitoral, petistas e militantes da esquerda se especializaram em buscar dados do gestor passado para tentar maquilar problemas do presente. “Tem corrupção no governo? Mas e daí? Nossa inflação é mais baixa do que na época do FHC.”

A volta ao passado como forma de evitar discussões relevantes foi uma das principais artimanhas na campanha eleitoral que reelegeu Dilma Rousseff. Todos viraram economistas. Bradejavam sobre “dívidas internas e externas”, “PIBs”, “salário mínimo”, “inflação” e “valorização da moeda”. Dispensavam outros contextos históricos pertinentes para confrontar gestões. Assim, alimentavam seus próprios ideais. É válido. Até certo ponto.

No período pré-eleitoral, o uso abusivo dessas retóricas serviu – de fato – para tentar aniquilar qualquer tentativa da oposição de falar sobre a crise financeira que se aproximava. “A inflação vai subir”, “O PIB vai cair”, diziam os pessimistas da época. Os governistas, em vez de tentar debater tais previsões, resumiam: “No tempo do FHC, a inflação era maior.”

É quase infantil, né? Aliás. É, absurdamente acriançado. E o pior: os tais pessimistas estavam certos!

Também não era de se esperar que um processo picaresto de impeachment fosse mudar esse modus operandi imaturo dos agentes públicos. A própria defesa de Dilma referente às chamadas “pedaladas fiscais” foi ladeada de retóricas voltadas aos gestores anteriores. “Eles também pedalaram.”

Essa retórica, após a saída forçada do PT, em nada mudou. Claro. Segue voltada ao passado. Agora, os novos donos do poder e seus aliados ignoram, por exemplo, o fato de Michel Temer – o presidente ilegítimo – nomear uma série de ministros investigados ou citados em contundentes apurações sobre corrupção de valores no poder público. A justificativa, outra vez, é o passado.

“Temer tem sete ministros suspeitos e investigados!”, exclamam os petistas. “Mas e daí? Dilma tinha 19”, devolve a nova base governista. Uma melancólica argumentação.

Outro fato – merecedor sim – da atenção de todos é tratado com a mesma insignificância. Não há representantes femininas no quadro de ministros de Temer. E alguém da base governista se prestou a discutir mais a fundo essa predominância masculina que se perpetua na política? Não. A resposta foi simples: “Na época da Dilma nem eram tantas assim…”

Temer, aliás, não deveria estar onde está. Por isso, o chamo de “presidente ilegítimo”. Não por ter sido empossado sem voto, mas pelo simples fato de ser investigado por suposta apropriação de propinas. E por ser, hipoteticamente, mais um dos tantos agentes públicos corruptos que entristecem nossa democracia. “Mas e daí? Os antigos líderes do PT são todos corruptos.”

Sempre haverá um “mas”. Ou um “porém”. E admitir os próprios erros, cobrar argumentos, doa a quem doer, ainda é uma utopia em solo brasileiro. Aqui, político e militante parecem só enxergar pelo espelho retrovisor.


A CPI do PAC virou uma deprimente novela

Dia 5 de abril. Faz um mês e duas semanas que o pedido de abertura da CPI para as obras de pavimentação pelo PAC segue em banho-maria na mesa do presidente da câmara de Lajeado, Heitor Hoppe (PT). A escusa é constrangedora: Falta saber o que consta no regimento interno do Legislativo sobre CPIs.
Além disso, a posição de Sérgio Kniphoff (PT), ao desprezar relatório técnico do MPF, é vexatória. Como fiscalizador que é, com direito a salário de quase R$ 7 mil e dois assessores só para ele, jamais deveria se esquivar de uma investigação. O mesmo vale para outros oito parlamentares, de PMDB, PP e PTB, que se negaram a assinar o pedido de abertura do inquérito.

Tiro Curto

– Hoje, o delegado da Polícia Civil de Encantado, Silvio Huppes, apresenta o inquérito sobre os problemas no Instituto Oftalmológico. Pelo menos 17 pacientes ficaram cegos após cirurgia. Ministério Público também investiga;

– Em Lajeado, tem ex-secretário municipal – e futuro candidato à vereança – buscando voto por meio de cedência de vagas de estacionamento. A vaga, no caso, ficava na área da Feira do Produtor;

– Finalmente! José Ivo Sartori, o governador, nos brindou com uma boa notícia: vai vetar o reajuste salarial do Judiciário e do Legislativo;

– Apostas seguem no cenário político de Lajeado. Tem quem acredite em dobradinha do PT, entre Luís Fernando Schmidt e Sérgio Kniphoff, com Schmidt saindo em 2018 para concorrer a deputado estadual. De outro lado, alguns apostam no nome de Enio Bacci (PDT) como candidato a prefeito no lugar da pré-candidata Márcia Scherer (PMDB);

– Vereadores de Estrela, Felipe Schossler e Paulo Floriano Scheeren, agora no PTB, apresentaram defesa no TRE nessa segunda-feira. O antigo partido deles, o PPS, pede a cassação de mandato de ambos;

– A comunidade de Santo Antão aguarda a volta da tela “Nossa Senhora com menino e santos”, uma peça pintada em 1714, em Veneza, na Itália, e que chegou a Encantado em meados de 1890. Há dois anos, foi enviada a Roma para restauração, depois de quase ser descartada;

– Vereador lajeadense, Antônio Schefer (PMDB) envergonhou a muitos no plenário, nessa terça-feira. Ao desferir palavras grosseiras contra o patinador lajeadense, Marcel Stürmer – que angariou verba federal de R$ 300 mil para investimentos em Lajeado –, o parlamentar mostrou todo o seu obscurantismo.

Notícias relacionadas
Comportamento

Solte seus cachos!

Descubra a transição capilar através da história de quem passou pelo processo

Cidades

Projeto “Redação nas Ruas” abre 2020 no bairro Centenário

Equipes de jornalismo e do setor de relacionamento do Grupo A Hora ouviram demandas dos moradores na manhã … Leia mais

Cidades

Associações buscam reaver valores investidos em criptomoedas

Milhares de clientes da Indeal e da Unick foram lesados e buscam ressarcimento. Em Brasília, grupo de … Leia mais