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Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 28/04/2016

A incoerência infesta Lajeado. E poucos percebem

É difícil não cair em incoerência. Poucos escapam. Quase todos os dias incorremos em desarmonias com nossa razão. Algumas vezes de forma imperceptível até para os mais astutos. Ninguém está imune. Mas a praga atingiu em cheio Lajeado, especialmente entre agentes públicos.

Começamos pelos ambientes da prefeitura. Lá, a incoerência de manter uma centena de Cargos Comissionados (CCs) considerados ilegais pelo Ministério Público do Estado em detrimento aos necessários agentes epidemiológicos, por exemplo, só é percebida agora. E o agora é inquietante, pois nossa cidade está classificada como “infestada” pelos famosos mosquitos da dengue.

A prefeitura, de fato, é um criadouro para novas e cada vez mais surpreendentes incoerências. E é fácil percebê-las, basta deixar o clubismo – ou partidarismo – de lado.  Veja, por exemplo, o esforço do prefeito em apresentar ao MP as possíveis fraudes em contratos firmados pela ex-prefeita. É um vigor desproporcional àquele necessário para romper acordos firmados por ele mesmo. Esses já considerados fraudulentos pelo mesmo MP. A incoerência, aqui, nos mostra que a preocupação do atual gestor é seletiva. Bastante seletiva.

A mesma desconexão com a realidade ficou evidente com a implantação do turno único na prefeitura. A princípio, uma medida urgida para gerar economia. Mas, na prática, a administração municipal foi incapaz – pasmem – de divulgar o montante economizado. Pior. Enquanto postos de saúde fechavam à tarde, o prefeito gastou R$ 1 milhão com propagandas.

Os fatos incongruentes dentro da prefeitura são tantos que não cabem em um só artigo. Eu poderia falar também da paciência com algumas terceirizadas. Como a responsável pelo estacionamento rotativo que, desde 2015, não repassa os valores acordados para a outorga. Justamente a outorga, a principal balizadora do edital de licitação para contratação desse serviço.

E deixando um pouco a prefeitura de lado, é possível perceber vastas incoerências em outros setores. Entre lojistas, percebemos uma raiva exorbitante contra vendedores ambulantes que usufruem das calçadas. Ao mesmo tempo, comerciantes associados fazem pouco caso daqueles colegas comerciantes que – vejam só – também utilizam as calçadas como ponto de venda.

A incoerência assola também o Legislativo. A maioria dos projetos é eleitoreira. Como os nomes de ruas, as homenagens a cidadãos, os repasses de valores para entidades e os afagos a setores da sociedade. Quando não são de cunho eleitoral, servem para abortar leis aprovadas por eles tempos atrás. E enquanto isso, são incapazes de abrir uma singela CPI.

Por fim, e não menos preocupante, percebo desarmonia nos inquéritos abertos pelo MP, por mais necessárias que sejam certas investigações. A promotoria, recentemente, deixou de investigar fatos polêmicos atuais – e não são poucos – para averiguar contratos firmados lá em 2006, há dez anos. É assim. A tal incoerência nos persegue. É possível, até, que esteja incrustada neste artigo. Afinal, ninguém escapa. O problema maior é que poucos a admitem.


Sem gravação, evita-se o constrangimento alheio

O presidente da câmara de Lajeado, Heitor Hoppe (PT), resolveu encerrar com as gravações das sessões plenárias, que eram transmitidas na íntegra pela TV a cabo. A justificativa apresentada é a falta de recursos. O custo do serviço contratado sem licitação pelo ex-chefe do Legislativo, Carlos Ranzi (PMDB), é de R$ 4,5 mil mensais.

Se há algo a ser elogiado sobre as gravações das sessões plenárias é a exposição dos legisladores. Com a transmissão dos depoimentos para os lares dos lajeadenses, ficou fácil perceber quem merece e quem não faz por merecer uma cadeira legislativa. Diante disso, me parece claro que tal decisão trouxe alívio para alguns parlamentares.


Tiro curto

– Promotor eleitoral, Carlos Fioriolli encaminhou ofício a todas as redações de jornais, rádios e TV da comarca de Lajeado. Cobra limites em reportagens e colunas que citarem candidatos a cargos eletivos;
– O desemprego no país chegou aos dois dígitos, segundo o PNAD do IBGE. São 10,2%, representando mais de dez milhões de brasileiros aptos para a labuta. Tal número, de fato, tende a ser muito maior;
– Vereador de Estrela, Paulo Floriano Scheeren (PTB) disse no plenário que é preciso separar o RS do restante do Brasil. O motivo: a corrupção no centro do país;
– Juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro estava em Nova Iorque, onde recebeu homenagem da revista Time. No Brasil, alguns questionam o silêncio momentâneo da Lava-Jato;
– Também no Brasil, ministros do STF agilizam abertamente com parlamentares – entre eles, o intocável, Eduardo Cunha (PMDB) – a aprovação do aumento dos próprios salários;
– Uma CC3, responsável pela leitura de água na Secretaria de Obras de Lajeado, não estaria – segundo colegas – trabalhando durante a segunda quinzena de cada mês;
– No Vale do Taquari, dos 11.789 servidores públicos, 1.404 são cargos comissionados. Os CCs representam 12% do total. É muito. É um abuso. Boa quinta a todos!

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