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Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 05/05/2016

A propaganda institucional parece campanha eleitoral

É inegável a necessidade do gestor se utilizar de recursos para publicizar certas ações do governo. Principalmente nas áreas da saúde, da educação, do trânsito e de outros serviços básicos. Muitas vezes, claro, tal publicidade é necessária em função da falta de pró-atividade do cidadão. Mas isso é prosa para outro artigo.

O enredo de hoje é sobre o fato desse mecanismo – que proporciona boas e livres cifras aos gestores – ser usado tão e somente em prol de uma reeleição. Ou pior: Na tentativa de degradar adversários políticos, como verificado em alguns casos.

Para falar sobre isso é sempre bom contextualizar os fatos. Passado e presente costumam se abalroar com frequência nessa política dissonante a qual estamos aclimados. Lembro bem quando a então fervorosa oposição em Lajeado denunciou, em 1999, a publicação de uma revista institucional durante a gestão do então prefeito, Cláudio Schumacher.

No material, além de diversos press-release preparados pela assessoria de imprensa, havia fotos de obras de infraestrutura e demais ações típicas de governo. E nessas imagens aparecia, além de secretários municipais, a figura do ex-prefeito progressista.

Schumacher e seus aliados só não foram condenados na Justiça porque provaram que o material foi custeado com recursos do PP. Não teria sido gasto, de fato, dinheiro do contribuinte. Ao meu entender, uma decisão inexata. Pois se valer da posição pública para benefício próprio é, no mínimo, imoral.

Mas enfim. Passados 17 anos e a administração lajeadense volta a cometer o mesmo deslize. Dessa vez, por meio de programas televisivos exibidos na TV a cabo. Prefeito, vice e secretários aparecem aos montes. Divulgando ações e, por vezes, se divulgando. E tudo pago com dinheiro do contribuinte.

O mesmo vale para o folhetim Lajeado Hoje, Lajeado Mais, empilhado aos montes no terceiro andar da prefeitura. Um desperdício. E outra vez, como bem descrito no editorial desse material impresso, se trata de mera propaganda eleitoral. Lá, divulgam simplórios “certificados” como sendo “prêmios” entregues ao atual gestor. Trágico, não fosse cômico.

Claro que esse mau uso da propaganda institucional não se abate só sobre Lajeado. Os governos municipais de Estrela, Westfália e Imigrante, por exemplo, também brindaram suas comunidades com programas na TV a cabo. Sempre com a presença dos agentes públicos. É PMDB, PT e PP agindo da mesma forma.

Nada contra a produtora de tais vídeos, e tampouco contra as agências de propaganda que, acredito eu, fazem seus trabalhos de forma absolutamente honesta. Mas tudo contra quem gasta o meu, o seu e o nosso dinheiro só para alimentar e perpetuar o próprio curral eleitoral.

Também é muito comum verificarmos abusos nas matérias publicadas nos sites oficiais dos municípios. Elogios exacerbados, informações distorcidas, análises precipitadas e ataques a opositores são mais comuns do que se possa imaginar. Em certos casos, redatores sequer esboçam qualquer menção de maquear a clara intenção nas entrelinhas. Escancaram o despudor.

Passou da hora desses gestores serem mais responsáveis com nosso dinheiro. Até porque, obras paradas, turnos únicos, atrasos no pagamento de contas e tantas outras falhas administrativas não condizem com tanto gasto em propaganda.


Contas atrasadas: multas pagas pelo contribuinte

As prioridades de um gestor mostram muito sobre sua capacidade de administrar um município. Más escolhas podem representar, logo ali na frente, problemas. É o que ocorre, por exemplo, quando se contrata quase uma centenas de “chefes” desqualificados para simplesmente inflar a máquina pública com servidores fiéis e futuros pedidores de votos.

Ao dispensar critérios técnicos em detrimento a promessas eleitoreiras, gestores assumem riscos graves. Em Lajeado, a opção por não melhorar o quadro da contabilidade – formado por seis contadores – gera desconfianças. Atrasos em guia de FGTS e no pagamento do licenciamento da frota de veículos mostram que algo está errado. E com certeza não são os concursados.


Tiro curto

– O MP propôs acordo com o Executivo de Taquari para a restauração do Museu Casa Costa e Silva, seguindo as legislações nacionais e internacionais. Costa e Silva é taquariense e foi presidente do Brasil durante o regime militar. Em 2014, o prefeito, Emanuel Hassen, mandou derrubar o busto do ex-ditador, que estava na principal praça da cidade;
– Cidadãos lajeadenses planejam ir até a câmara de vereadores, no dia 31, para entregar a proposta de lei popular que sugere redução dos salários dos parlamentares;
– Alerta: tem secretário municipal devendo em lojas de maquinários agrícolas em função de compras sem empenho;
– No aniversário de 125 anos de emancipação de Venâncio Aires, o destaque será o lançamento do livro 100 projetos que mudaram Venâncio. A publicação, com 82 páginas, trará uma centena de realizações do prefeito Airton Artus, no cargo desde 2009. E quem paga é o contribuinte;
– O MPC apontou problemas nas contas de 2014 do prefeito de Westfália, Sérgio Marasca (PT). Para o órgão, “é precária a atuação da fiscalização fazendária”;
– Só eu ficarei aguardando sentado pelos resultados positivos referentes à participação de parlamentares da região na 14ª Marcha dos Vereadores, em Brasília?
– Prefeitos não largam mão dos fiéis CCs. Em Lajeado, procurador-geral do Ministério Público pediu a extinção de 131 cargos. Em Estrela, MPC quer concurso público para 121. Enquanto isso, militantes – e até jornais – enaltecem o que pensam ser um número baixo de comissionados;
– Parabéns ao MPF e a quem denunciou os possíveis sobrepreços nas obras do PAC, em Lajeado. Triste é a posição do governo, que tenta imputar culpas a quem fiscaliza.

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