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Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

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Coluna publicada diariamente
Publicada em 03/03/2016

É errado culpar vítimas. Alex e Gastão mereciam viver mais

Eu nasci em 1982. Quando o jovem Alex Thomas foi espancado até a morte na av. Paraguassu, no balneário de Atlântida, área nobre do litoral gaúcho, eu estava quase completando 4 anos. Não lembro do fato, em si. Mas cresci ouvindo histórias sobre aquela aterrorizante madrugada de 26 de fevereiro de 1986.

Uma dessas versões fantasiosas indicava uma possível culpa do adolescente nascido e criado em Lajeado. Alex Thomas teria “respondido” às provocações dos criminosos membros da “Gangue da Matriz”. Em outras palavras, escolhera morrer ao ousar dirigir palavras ao grupo de criminosos covardes.

Outras histórias davam conta de que o amigo de Alex, Leandro, também teria “reagido” às intimidações dos agressores. Da mesma forma, ouvi muitos culpando a outra vítima do brutal massacre em Atlântida. “Deveria ter ficado quieto.” “Ele deveria ter morrido no lugar de Alex.” Sim, eu ouvi isso.

Na semana passada, me debrucei sobre o caso. Me preparava para escrever a reportagem especial do fim de semana, relembrando os 30 anos da morte do adolescente. Processos, reportagens antigas e, principalmente, duas conversas francas com a mãe de Alex e com o próprio Leandro enterraram de vez qualquer burburinho.

Alex e Leandro são as únicas vítimas do fato. Óbvio. E mesmo que tivessem xingado até a quarta geração de qualquer um dos integrantes da gangue, ou respondido a provocações, mesmo assim, só eles seriam vítimas. E só os integrantes da gangue seriam os culpados. Qualquer outra argumentação não passa de mera cumplicidade para com os criminosos.

Precisamos atentar mais para nossos julgamentos rasos. Culpar vítimas é o mesmo que inocentar criminosos. Não podemos agir de tal forma, sob pena de incentivarmos decisões judiciais favoráveis aos réus ou, até mesmo, nos piores casos, novos crimes semelhantes.

E sequer é preciso viajar 30 anos no tempo para entender que muitos agem dessa forma. A tentativa de culpar a vítima parece incrustada na nossa cultura. Há uma semana, Gastão Koelzer, um morador aposentado de Lajeado, também querido na comunidade, como fora Alex, foi espancado até a morte por dois criminosos próximo à sua casa.

Nas redes sociais, sobraram comentários sobre a ação da vítima. Cansado de ser roubado, ele decidiu ir atrás dos algozes. Foi sozinho. Acabou morto pelos dois. De quem é a culpa? Dos criminosos, claro! Mas, no inconsciente de muitos e no consciente de outros tantos, Gastão é o culpado. E por quê? Pois deveria ter aceito pacificamente o furto.

Pensar assim é como alimentar a impunidade. É a mesma situação daquela menina que “provoca” o estuprador ou assediador por usar saia curta. De tanto escutar que é culpada, a vítima deixará de denunciar. E o que é ruim, poderá ficar ainda pior.


PTB cresce em Estrela

Elmar Schneider, o secretário de Saúde, se destaca nessa missão. Utiliza o mesmo horário de serviço cobrado dos servidores públicos para divulgar a convenção regional da sigla. Fez isso na Assembleia Legislativa, ao visitar gabinetes, e nessa segunda-feira, ao participar de programa da Rádio Independente. Falta usar os telefones da secretaria para convidar correligionários.


Tiro curto

– Matéria da assessoria de imprensa do governo de Lajeado divulgada na segunda-feira: “Turno único manteve qualidade no atendimento nas Unidades de Saúde”. Só não divulgam quanto foi economizado;
– Em Colinas, o parlamentar Airton Lansing protocola – outra vez – projeto de lei para acabar com o direito a férias no primeiro ano de mandato dos vereadores;
– Preocupante: li na coluna do Mazzarino, no jornal Antena, que Paulo Costi, prefeito de Encantado, e o médico responsável pelo Centro Oftalmológico – esse indiciado pelo MP – não compareceram ao encontro organizado para discutir os problemas que cegaram 17 pacientes;
– Os projetos de lei não estão sendo atualizados no site da Câmara de Vereadores de Lajeado. Simples de resolver. Ccs não faltam. Basta o presidente se atentar aos detalhes;
– Vereadores Adi Cerutti (PMDB) e Antônio Schefer (SDD) mudam, nos próximos dias, para as siglas do PSD e do PMDB, respectivamente;
– Em Lajeado, o contrato de R$ 5,56 milhões com a Mecanicapina para serviços de capina mecanizada – o mesmo que o MP pediu rompimento em julho de 2015 – vence no dia 25 de março. Já foram assinados quatro aditivos. Não há tempo para concluir uma licitação. Ou seja. Por livre opção do prefeito, o grupo acusado de participar do Cartel do Lixo, e indiciado a devolver R$ 4,7 milhões aos nossos cofres, permanece;
– O Ministério Público de Contas reitera multa à ex-prefeita de Lajeado, Carmen Regina Cardoso (PP). Segundo o órgão fiscalizador, um contrato firmado sem licitação para serviços de assessoria jurídica carece de “comprovação dos serviços prestados”.

Boa quinta!

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