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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 11/02/2016

“Estamos aqui exercendo a nossa cidadania”

Faz tempo que quero compartilhar com o leitor algo que me chamou muito a atenção. No livro Um País sem Excelências e Mordomias, a jornalista Claudia Wallin nos conta um pouco da vida sem ostentação vivida por agentes públicos na Suécia, uma nação exemplar em termos econômicos e sociais, e onde – em âmbito regional – 94% dos políticos não recebem salário.

Reproduzo parte de entrevista com a vereadora de Estocolmo, Christina Elfförs-Sjödin. Ela é uma das representantes da capital sueca, cidade com população de 1,3 milhão na área urbana e de dois milhões na área metropolitana. Sugiro uma comparação simples com os nossos megalomaníacos vereadores, para percebermos diferenças de custo e efetividade:

O que acha de trabalhar como vereadora desde 2006 sem receber salário?
Christina – Acho bom, porque penso que não devemos ter vereadores pagos.

Por que não?
Christina – Porque estamos aqui exercendo nossa cidadania, em uma atividade que não exige dedicação em tempo integral, e, portanto, não devemos ser pagos por isso. Se pagássemos salários a vereadores, muitos estariam aqui não por causa de um comprometimento para mudar as coisas para melhor, e sim para ganhar dinheiro e fazer carreira. Seria, então, um trabalho. E não acho que ser vereador seja um trabalho.

O que é ser vereador?
Christina – É um trabalho voluntário, que pode ser perfeitamente realizado nas horas vagas. Para isso, temos uma pequena gratificação, que na verdade é um valor extremamente baixo (cerca de 230 dólares mensais), mas é suficiente. Para receber salário, trabalho como diretora em uma creche em tempo integral.

A senhora não tem gabinete e nem assistentes, e trabalha em casa. Conta com algum tipo de assistência para a sua função como vereadora?
Christina – O apoio que tenho vem de dois funcionários do meu partido, que têm como função auxiliar todos os 38 vereadores da sigla.

Como também não tem direito a celular, a senhora precisa pagar do próprio bolso para fazer ligações relacionadas ao trabalho como vereadora?
Christina – Uso o meu próprio telefone celular. Todos na Suécia têm um celular. E não custa tanto assim fazer ligações extras do próprio telefone.

Quanto tempo por semana a senhora dedica às atividades como vereadora?
Christina – São em média cinco horas por semana. A leitura de documentos e propostas é a tarefa que mais consome tempo. Também dedico tempo para responder aos muitos e-mails que recebo de eleitores, com perguntas e solicitações sobre questões diversas.

Não há necessidade de trabalhar como vereadora de Estocolmo em tempo integral?
Christina – Absolutamente não. Cinco horas por semana são suficientes.


Mentira é ruim. Muito ruim.

Por ser imprensa livre, o A Hora foi ouvir o BRDE sobre as justificativas do governo de Lajeado para o atraso no envio do projeto de financiamento. Descobrimos o óbvio. O Executivo fabulou ao anunciar que o prazo para enviá-lo ia até março, e que esse teria sido antecipado, provocando a correria pelo empréstimo de R$ 4 milhões. Na verdade, o prazo sempre foi o mesmo: 15 de janeiro.

Teve até secretário esbravejando nas rádios locais contra os vereadores que rejeitaram tal empréstimo. Disse o agente que “não houve tempo suficiente para fazer o projeto.” Estranho. Pois outros 40 prefeitos conseguiram encaminhar a proposta dentro do único prazo estipulado pelo banco. Fica a lição: falhar é humano. Mas mentir é ruim. E não cobrar de quem mente é muito ruim.


“Feriadããão”

Para os deputados federais e senadores brasileiros, diferente do trabalhador comum, o feriado de Carnaval foi prolongado até terça-feira. Na única semana de atividades em 2016, os parlamentares só aprovaram uma medida provisória, aumentando o Imposto de Renda pago por contribuintes que tiveram ganho de capital na venda de imóveis, veículos, ações e outros bens.


Tiro curto

– Ao mesmo tempo em que anuncia superávit de R$ 5 milhões referente ao ano passado, o governo de Lajeado aumentou, de 2015 para 2016, em R$ 8 milhões – quase 35% – os chamados “Restos a Pagar”. São aquelas contas já empenhadas e não quitadas. O montante, conforme o TCE, é de R$ 30,5 milhões;
– As contas de diversos partidos políticos na região estão sendo reprovadas pela Justiça Eleitoral. Até o momento, são pelo menos 20. Isso significa, entre outros, perder recursos do Fundo Partidário;
– Com a criação de novos ccs, em dezembro, o secretário de Obras de Colinas, Mário Knobloch, ganhou um auxiliar. É o ex-vereador, João Carlos Hauschild (PMDB), o “Canário”;
– Na semana passada, Márcia Scherer e Valdir Blau, ambos do PMDB, se reuniram em Alto Conventos, na casa do irmão do ex-vereador. Um jantar reuniu ex-assessores e líderes do bairro. Em Lajeado, a campanha já iniciou para alguns. Para outros, o litoral é mais atraente;
– Moradores do interior de Estrela seguem reclamando do poder público. Agora, a queixa é referente à insegurança na ponte que liga Novo Paraíso a São José;
– O PSB de Paverama se reúne neste sábado. É o primeiro encontro do partido naquela cidade. A sigla não descarta o nome de Maurício Marques da Silva como candidato a prefeito;
– Em Colinas, os excessivos gastos com um mecânico terceirizado ligado à administração ainda geram comentários. Em apenas dois meses, foram mais de R$ 50 mil. Cerca de R$ 1,3 mil por dia útil. Oposição sustenta que o cargo efetivo de mecânico, extinto pelo Executivo, custaria R$ 5 mil por mês;
– Supondo uma taxa Selic média de 14% – hoje ela está em 14,25% – e mais os 6,18% de juros previstos no financiamento do BRDE para pavimentar ruas, Lajeado vai pagar efetivamente cerca de R$ 8 milhões pelo empréstimo de R$ 4 milhões ao fim dos dez anos de prazo para quitar a dívida. Boa quinta!

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