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Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 31/03/2016

Gestores afastam o transporte público da sociedade

Uma das experiências mais marcantes de quem viaja pelo velho continente europeu é, com certeza, o transporte público. Impressiona a forma como funciona. Tanto em cidades de porte maior como nas pequenas comunes italianas, por exemplo. Pontualidade, qualidade e incentivo ao uso são as premissas de tal serviço. Literalmente é o oposto da nossa realidade.

Na semana passada, a passagem de ônibus na pequena Lajeado passou para R$ 3,40. Quem prefere os micro-ônibus sofre com o abusivo preço de R$ 4,50. Por mês, sem contar os fins de semana, os usuários do precário transporte coletivo lajeadense gastarão, respectivamente, R$ 71,40 e R$ 94,50. Isso com uma média de duas passagens diárias. Uma de ida. Outra de volta para casa.

Pelos valores, percebe-se a formação de uma pirâmide invertida. Desconexa da realidade mundial. Veja bem. Comparando tais valores com os gastos necessários ao uso de veículos particulares, e supondo que esse uso seja restrito ao mesmo trajeto diário realizado com o transporte coletivo, é mais barato ir ao trabalho de carro. E isso é uma constatação medonha. Retrógrada.

É muito mais barato ir de carro. Porque nesse cálculo não levo em conta só o gasto efetivo de dinheiro. É preciso avaliar o tempo perdido. Ou o tempo ganho. É preciso verificar as condições de transporte. O seu conforto. Bem como todas as demais inconveniências geradas por um sistema de transporte arcaico.

Por essas e outras, a falta de competência dos gestores atinge níveis perigosos. Em Lajeado, os coletivos trafegam com menos de 60% de sua capacidade. Em 2014, as duas empresas contabilizaram cerca de cem mil bilhetes vendidos a menos. E os índices só pioram. Ao mesmo tempo em que as tarifas aumentam, e os serviços empioram.

Uma bola de neve que não iniciou na atual gestão, claro. O prefeito Luís Fernando Schmidt ainda paga por erros graves cometidos pelos gestores passados. Na verdade, o governo anterior pouco ou nada fez. E quando tentou fazer, errou. Em 2007, viu a única licitação ser suspensa por suspeita de direcionamento. Poderiam ter realizado nova concorrência. Mas não. Preferiram – sabe-se lá por que cargas d’água – ficar mais de cinco anos no comando da prefeitura sem lançar o edital, aguardando por milagre nos tribunais. No fim, perderam a causa. E o passageiro ficou todo esse tempo sem ver melhorias significativas.

Mas o governo passado fez algo ainda pior. No fim do último mandato, em meados de 2012, uma lei municipal proposta pelo Executivo foi aprovada no plenário. Mudava critérios da licitação, dando maiores condições de vitória para empresas já atuantes na cidade. Ao menos é essa a primeira impressão da Justiça, em um caso que ainda carece de julgamento pelo pleno.

Foi talvez o grande motivo que empacou as melhorias propostas pelo atual prefeito, após ele investir mais de R$ 100 mil em uma empresa de consultoria de Porto Alegre para montar um novo projeto viário do transporte municipal. Mas Schmidt peca, tal como a ex-prefeita. Peca pela falta de proposição.

Não havendo licitação, nada impede que o governo coloque em prática uma série de melhorias propostas pela consultoria contratada. Nada impede que o tal Conselho de Trânsito imponha novas rotas e formas de atuação às atuais concessionárias. Se for para o bem do usuário, certamente será para o bem delas logo adiante. Mas Schmidt prefere aguardar.

No meio disso tudo, o passageiro padece. E com razão. Afinal, transporte público de excelência é sinônimo de qualidade de vida. E essa retorna em melhores índices de saúde, segurança, educação, cultura e, até, em votos. Mas os gestores não gostam do óbvio.


Agentes na manifestação

Na passeata do grupo Vem pra Rua, em Lajeado, os agentes de trânsito foram orientados a não acompanhar os manifestantes. Euclides Rodrigues, diretor de Trânsito, confirma que essa foi a orientação, “pois manifestações pacíficas podem resultar em hostilidades contra os servidores e, até, em baderna. Assim evitamos que os agentes sejam vistos como cúmplices de eventuais agressões.”


Tiro curto

– Presidente do PMDB de Lajeado, Celso Cervi, sobre a renovação do contrato para capina em ruas com a Mecanicapina, denunciada pelo MP por cartel e por causar prejuízo de R$ 4,7 milhões aos cofres: “Isso foi uma afronta. Vamos pressionar pela abertura de uma CPI.”
– Reviravolta em Teutônia. Evandro Biondo (PMDB) volta a encabeçar a chapa da situação, e pode disputar o cargo de prefeito com Jonatan Bronstrup (PSDB) e Hélio Brandão (PTB);
– Em Colinas, o MPC sugere débito de R$ 12,4 mil ao prefeito Irineu Horst (PMDB) por gastar esse valor, em 2014, com a Versa Consultoria. Cita que os serviços contratados são desnecessários. Horst também gastou R$ 59 mil em 2015, e mais R$ 10 mil em 2016 com essa empresa. A mesma que tem contratos em Doutor Ricardo, Boa Vista do Sul, Sério e Paverama. Todas prefeituras comandadas pelo PMDB;
– Psicóloga do Cras de Estrela se queixou, no Facebook, do comportamento de um vereador local. Reclama de recorrentes desacatos contra ela e outros funcionários, mas não cita o nome. Cita que ele “se esconde atrás de problemas sérios para ser malvado e grosseiro”;
– É trágica a tentativa do governo de Lajeado de punir líderes sindicais pelas manifestações contrárias ao reajuste proposto. Principalmente porque elas conseguiram aumentar de 6,8% para 8%, beneficiando o próprio prefeito que, espertamente, também se valeu desse acréscimo;
– A assessora jurídica da câmara de Santa Clara do Sul esclarece: o apontamento do MPC contra a gestão de Mauro Heinen (PTB), em 2014, indicando falhas na Lei de Responsabilidade Fiscal, está em discussão no TCE e não possui o condão de desaprovar suas contas;
– Mozart Lopes (PP), ex-secretário de Obras e atual suplente de vereador, procurou líderes regionais e municipais do PV na semana passada. Queria deixar a sigla progressista, onde pouco é lembrado. A ex-prefeita Carmen Regina Cardoso, sua tia, o impediu.

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