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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 10/03/2016

Lula navega em um mar de coincidências e indícios

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é uma figura mundial. O fato de ter nascido pobre, ter só formação como torneiro mecânico, e, mesmo assim, ter alcançado a presidência da República é notório e lhe rendeu inúmeras condecorações.
Não à toa, o advento de seu nome na contudente Operação Lava-Jato se tornou a principal manchete nacional. Fato natural. E qualquer queixa dos militantes é exagerada. Lula escolheu ser a figura pública que é. Enriqueceu graças a isso. Agora é tarde para fugir dos holofotes.

Da mesma forma, a discrepância entre os espaços midiáticos destinados às suspeitas envolvendo Lula em relação às delações que citam Aécio Neves, por exemplo, é genuína. Aécio não chega aos pés de Lula em popularidade. Basta ver o número de pessoas saindo às ruas para defendê-lo. E o jornalismo – para o bem ou o mal – atua assim. Dá destaque àquilo que mais rende leitura.

Dito isso, vamos aos fatos que deixam clara a relevância da investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Essa não deveria ser menosprezada pelas alucinações de quem só vislumbra um meticuloso golpe armado contra o PT, mesmo sendo um dos partidos menos investigados na operação.

É fato: Lula está encrencado. Defendê-lo diante de tantos indícios é tarefa árdua. Não para os militantes cegos, claro. Mas simpara aqueles que ainda mantêm dignas suas posições e consciências. Eu diria que o momento é pouco propício para colocar a mão no fogo por ele.

Os indícios são constrangedores para o ex-presidente. Esqueçamos um pouco os sítios ou o triplex, para avaliar tão somente a relação dele com algumas das mais suspeitas empreiteiras do país. E veja bem. Não estou inocentando-o dos fatos envolvendo imóveis não declarados. Pelo contrário. Só deixarei isso, por ora, em segundo plano.

Bueno. Se tais empreiteiras são o que são hoje, é porque sempre se aventuraram em busca do lucro. Elas não estão no mercado por caridade. Resta uma simples pergunta a ser feita a Lula, àqueles que respondem pelo ex-presidente, ou mesmo aos empresários: Qual foi o retorno financeiro dessas empresas após depositarem mais de R$ 30 milhões – declarados – no Instituto Lula e na empresa de palestras do ex-presidente só entre 2011 e 2014?

É no mínimo estranho. Em quatro anos, 60% dos recursos do Instituto Lula vieram das cinco maiores empreiteiras suspeitas de se beneficiarem de atos ilícitos com recursos da Petrobrás. Atos, esses, já comprovados pela Justiça.
Mais. Cerca de 47% das palestras ministradas pelo ex-presidente entre 2011 e 2014 foram pagas por empresas investigadas na Lava-Jato. Algumas ocorreram em Cuba, Venezuela, no Chile. Em Angola. Todos países onde volumosos contratos foram firmados pelas empreiteiras em períodos próximos, sempre com apoio de bancos públicos.

Parecem vantagens? Parecem. Parece lobby? Parece. E só o fato de parecer – e muito – é suficiente para justificar ‘condução coercitiva’. Lula não está imune. Ao menos por enquanto. E o fato da defesa insistir em debater a forma de condução, deixando de lado as investigações, denota culpa.

Mas, além dos indícios, a vida pública de Lula sofre com as coincidências. Essas, sim, capazes de desqualificar o enredo da investigação. Não por motivos justos. Mas por razões superficiais, utilizadas com maestria pelos ‘vitimistas’. Por coincidência ou não, a delação do senador Delcídio do Amaral, ex-PT, incluindo Dilma e Lula no escândalo da Petrobrás, e por fim a condução do ex-presidente até a sede da PF ocorrem a poucos dias da grande manifestação orquestada pela Direita. Um evento proliferado até por atores globais.

Há razão, sim, para os militantes da Esquerda questionarem tais coincidências. Mas é só. Essas fabulações sobre um “golpe” arquitetado por inúmeras instituições são insuficientes para inocentar Lula. E eu estou curioso para acompanhar os próximos capítulos.


Inaugurações

A inauguração das obras da creche do Conventos – sim, eles fizeram isso – pelo governo de Lajeado contou com um morador maior de idade. Explico. Os demais presentes eram crianças de até 5 anos da escola municipal Doce Criança, levadas até o canteiro de obras para ouvirem o prefeito, Luís Fernando Schmidt, e a secretária, Eloede Conzatti. Eu, como pai, não permitiria.


Tiro curto

Ainda sobre inaugurações, o prefeito de Lajeado escolheu março – o último mês liberado para tais atos antes do pleito – para inaugurar cinco academias ao ar livre. Vale ressaltar que os aparelhos foram todos comprados em dezembro de 2014;
– O governo de Encantado explica: na reunião sobre os problemas no Centro Oftalmológico, responsável por cegar 17 pacientes, o Executivo foi representado pelo vice-prefeito, José Calvi. O prefeito, Paulo Costi, estava na Assembleia de Verão da Famurs, em Torres;
– Ouvidora da Prefeitura de Lajeado, Marisa Bastos, não gostou de ler, aqui, sobre a forma como defende o Executivo nas redes sociais. Sobrou até para o A Hora, que para ela “é um jornal sem ética e credibilidade.” Ela diz que atua no Cargo de Confiança “com base nos princípios da igualdade e imparcialidade”, e cita que “deveres profissionais não podem anular seus direitos de cidadã”;
– O centro de distribuição da Fruki, em Pelotas, começa a operar em ulho. Esse investimento da empresa lajeadense ultrapassou os R$ 15 milhões. Já a nova sede, disputada por 60 municípios gaúchos, deve ser anunciada até o fim de março;
– A assembleia de recuperação judicial da empresa de laticínios Hollman, de Imigrante, estava prevista para as 14h de ontem. No entanto, por não ter o número suficiente de pessoas em cada classe representada, o encontro foi adiado para o dia 23;
– Ontem, na sede do Ministério Público Federal, representantes da Caixa Econômica Federal e do governo de Lajeado participaram de audiência sobre as obras de R$ 20,5 milhões do PAC. Boa quinta a todos!

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