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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 04/02/2016

Não caia em conversa fiada. Há dinheiro sobrando no país

Os últimos meses foram de “cortes” por parte dos governos federal, estaduais e municipais. Escrevo a palavra cortes entre aspas para deixar exposta minha insatisfação com tais medidas. Pois, como é de praxe entre políticos e demais agentes públicos brasileiros, o corte nunca ocorre na própria carne.

Nossos agentes públicos são campeões em demagogia. Cortam recursos de obras de infraestrutura, cortam recursos da educação, da saúde e da segurança pública. Mas são incapazes de interagir com tal realidade. No bolso deles, nada deixa de entrar. Mesmo que isso alimente ainda mais as piores mazelas nos já deficitários serviços públicos básicos.

É muito simples. Ao contrário do que se propaga, não faltam recursos no Brasil. Pelo contrário, há dinheiro sobrando no país. Qualquer tese contrária não passa de mera conversa fiada. Vamos aos fatos. Não há falta de dinheiro, pois em 2014 foram gastos quase R$ 4 bilhões só com os benefícios e penduricalhos disponíveis a magistrados e servidores do Judiciário, tais como auxílio-alimentação e auxílio- moradia, só para citar alguns.

E se contarmos os salários em todos os tribunais do país, o montante gasto no ano foi de quase R$ 70 bilhões, enquanto a saúde recebeu R$ 106 bilhões. O orçamento destinado ao Judiciário brasileiro é, muito provavelmente, o mais alto por habitante entre todos os demais países federais localizados no hemisfério ocidental.

Em 2014, representou o equivalente a 1,2% das riquezas produzidas pelos brasileiros no período. Naquele mesmo ano, os Estados Unidos gastaram 0,14% do PIB, a Alemanha, 0,32%; a Inglaterra, 0,14%; e a vizinha Argentina, 0,13%.

O Ministério Público (MP) não fica atrás. Também em 2014, o orçamento total destinado ao órgão, incluídos todos os seus “ramos” e todos os vários níveis hierárquicos, foi de R$ 15,4 bilhões. É o equivalente a 0,32% do PIB. No mesmo período, países como Alemanha e Espanha gastaram, igualmente, 0,02% do PIB com o MP deles.

Esses todos são dados de dois anos atrás, que já foram nocivamente reajustados desde então. Ou seja. A farra e a gastança com o dinheiro do contribuinte, hoje, é ainda maior. Se os gastos com o Judiciário e o MP são exorbitantes, o que falar das gastanças cometidas impiedosamente pelos agentes públicos, eleitos “democraticamente” pelo voto popular.

Como exemplo, os 515 deputados federais com suas vantagens quase infinitas. Cotas parlamentares, dezenas de assessores, aposentadorias especiais, auxílio para comprar roupas, para a saúde. Diárias. No ano passado, a Câmara Federal custou aos brasileiros a colossal cifra de R$ 85 milhões por mês.

Além do salário de R$ 33,7 mil, os parlamentares têm direito a ajuda de custo, cotão, auxílio-moradia, e verba de gabinete para até 25 funcionários. Isso que o 14º e o 15º salários foram extintos em 2013. Mas as mulheres dos deputados podem viajar com passagens pagas pela câmara. Uma desonra.

Para ficarmos mais próximos, não é possível acreditar em falta de recursos com tantos contratos suspeitos de superfaturamento aqui mesmo no Vale do Taquari. A última suspeita recai sobre as obras de pavimentação do PAC, em Lajeado, cujo sobrepreço pode chegar a R$ 2,4 milhões. Dinheiro suficiente para manter, por exemplo, todos os postos de saúde da cidade atuando em horário normal, e não só até 13h30min, como está posto hoje.

Mas enfim. São as prioridades dos nossos agentes. Por essas e outras, e também por você trabalhar quase meio ano apenas para quitar os tributos compulsórios, não há como faltar dinheiro no Brasil. O que falta é vergonha na cara.


Politicagem barata na câmara de Lajeado

O vereador Antônio Schefer (SDD) mostrou as garras. Foi o escolhido da oposição para atacar Sérgio Kniphoff (PT) por um atestado médico apresentado para justificar ausência na sessão extraordinária, e que não garantiu qualquer benefício ao petista. Schefer diz que o colega estava em uma praia catarinense durante o período de cinco dias de repouso domiciliar previsto no documento.

Deu um tiro no pé. Ele mesmo foi visto na praia em ano anterior, enquanto deveria estar se recuperando de uma hérnia, conforme descrevia um atestado médico que lhe garantiu remuneração de R$ 1,3 mil. Ademais, vale lembrar que o plenário não é palanque para denúncias pessoais. Vereadores não são pagos para isso. Na câmara, devem avaliar ações para o bem da comunidade.


Aedes aegypti

O governo de Lajeado pode aproveitar a aptidão com contratos emergenciais para o bem comum, e garantir mais agentes epidemiológicos. O Ministério da Saúde cobra, de municípios não infestados,  um para cada 6,7 mil imóveis. Lajeado tem cinco profissionais – uma sexta está de licença-médica –, e mais de 50 mil imóveis, sem contar terrenos baldios, áreas verdes e afins. É preciso mais para evitar desvio de função de outros servidores. A Sesa já anuncia a contratação de três.


Tiro Curto

– Os vereadores de Lajeado já decepcionaram seus eleitores – não todos, claro – ao rejeitarem a CPI do Cartel do Lixo, em 2015. Agora, emerge o suposto superfaturamento nas obras de pavimentação do PAC. E aí?

– Prefeito de Estrela impressionou pela quantidade de contratações emergenciais durante seus três primeiros anos de governo. Em 2016, inicia novamente escolhendo a dedo os pedreiros, marceneiros, enfermeiros, operadores de máquina, entre outros. Todos cargos próprios de concurso público;

– Novo capítulo na novela envolvendo o ex-presidente Lula e um triplex construído pela OAS. Conforme palavras do vereador de Estrela, Paulo Floriano Scheeren, durante a sessão de segunda-feira, o imóvel fica no Rio de Janeiro, e não no Guarujá, em São Paulo;

– Sobre atrasos nos pagamentos de contas de água, luz e telefone, o governo de Lajeado informa: “O principal problema ocorre com a telefonia. Dia 2 de fevereiro, por exemplo, chegaram os boletos vencidos em 25 de janeiro. Em várias ocasiões, os Correios foram informados. Como não houve solução, especialmente dos boletos de telefone, Secretaria de Administração e Assessoria Jurídica avaliam como proceder”;

– São tantos investimentos no modal hidroviário da região que eu esqueci que o diretor de Hidrovias da Superintendência de Portos e Hidrovias do Estado (SPH) é do Vale do Taquari;

– Barrigada: na semana passada, afirmei que o atendimento na prefeitura durante o turno único em Lajeado vai até as 14h. Cobrei, de forma injusta, a falta de suporte entre 13h30min e 14h. De fato, o expediente interno acaba às 13h30min. Boa quinta a todos!

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