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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 26/05/2016

Novas eleições, já!

“Se gritar pega ladrão, não fica um, ‘mermão’
Se gritar pega ladrão, não fica um…”

O clássico samba assinado por Ari do Cavaco, e levado ao conhecimento do grande público por meio da malandragem de Bezerra da Silva, nunca fez tanto sentido no Brasil.

A política brasileira está desmoronando. Não há como – e quem – defender, seja qual for o lado. Estão todos na mesma lameira, e no mesmo lodo, muitos seguem sendo manuseados. A impressão é que não sobrará pedra sobre pedra entre deputados, senadores, ministros e apêndices. E é essa a minha torcida.

Ambas as gravações divulgadas nesta semana pelo jornal Folha de São Paulo resumem – de forma sublime – todo o esquema de corrupção que açoita nosso país. Tudo em poucos minutos. Uma resenha perfeita, digna das mais bem arquitetadas séries dramáticas da televisão, muito embora o juiz federal, Sérgio Moro, volta e meia nos lembre que a Lava-Jato não é, de fato, ficção.

E essa parece ser a maior novidade para alguns agentes políticos: a Lava-Jato é de verdade!

A operação da Polícia Federal, para desespero de quem estava remansado em seu gabinete, não está em busca só de petistas.

Tão logo os demais políticos se atinaram disso e deixaram a quase perpétua zona de conforto em que repousavam junto aos seus milhões, o desespero lhes bateu forte.

O resultado disso foi gravado. E o conteúdo envolvendo o presidente do Senado brasileiro – sim, o presidente! – é estarrecedor. Mostra tudo. Com requintes de crueldade para os citados.

Mostra senador legislando em causa própria ou para o “bem” da companheirada corrupta. Mostra uma tentativa de mudar até o sistema de governo democrático, fazendo insurgir um falso parlamentarismo, capaz de derrubar uma presidente. Comprova, enfim, o aparelhamento do PT com seus – agora – algozes. Todos tentaram, de alguma forma, barrar a Lava-Jato.

Renan Calheiros e Sérgio Machado falam ainda de decisões editoriais obscuras da maior rede de comunicação da América do Sul. Demonstram também como a política busca, a cada movimento, se sobrepor à Justiça. E pior. Mostra, ao que tudo indica, um aparelhamento torpe entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

Em outro trecho da gravação, Calheiros afirma que a delação premiada de Marcelo Odebrecht – o megaempresário condenado por Moro – deve revelar as contas de campanha da Dilma, catapultando qualquer chance de ela ser vítima. Machado responde: “Não escapa ninguém, de nenhum partido. Do Congresso, se sobrar cinco ou seis, é muito. Governador, nenhum.”

Diante disso, não vejo outra saída que não a realização de novas eleições. Eleições gerais para todos os cargos eletivos. Todos. E para isso ocorrer de forma segura é necessário empoderar a “Lei da Ficha Suja” para cima de ministros, deputados, presidente, CCs, senadores. E sobre todos que ainda almejam sugar recursos das entranhas do Estado.

Foi só delatado? Não pode concorrer! Foi meramente citado? Não concorre igual! É risco zero. Não podemos mais aceitar agentes suspeitos no comando do nosso dinheiro. Ainda mais diante desse modelo político paradoxal e absurdamente propício ao jogo dos ladrões.

A limpeza deve ser geral. Independente de siglas. Mesmo porque ‘sigla’ e ‘ideologia’ já não andam juntas faz tempo.


Deixar de votar projeto de redução salarial é covardia

Os vereadores de Teutônia não foram os únicos. Mas são responsáveis pelo mais recente exemplo de covardia em uma casa legislativa da região. A opção por evitar a votação de proposta popular que solicita a redução salarial dos parlamentares é embaraçosa. Eles evitam, às vesperas do pleito, que o eleitor perceba as reais intenções deles para com o cargo público.

A justificativa é sempre a mesma, e parte do setor jurídico. Cita “inconstitucionalidade” para cá, “vício” de não sei o que para lá. Pura conversa fiada. Um ‘gravatês’ típico de quem busca desesperadamente esconder a própria covardia. Afinal, todos sabem que basta a câmara aceitar a sugestão popular. Não é preciso consultar advogado para aprender essa necessidade.


Tiro Curto

– Prefeito de Lajeado vetou a criação de um Fundo Municipal para Pavimentação. Era uma forma de evitar financiamentos e empréstimos a juros altíssimos. Por sorte, a oposição derrubou o veto;

– A Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral ainda investigam as denúncias do vereador, Delmar Portz. O tucano afirmou que um ex-secretário municipal estaria oferecendo dinheiro para candidatos do PSDB desistirem de concorrer pelo partido;

– Na quinta-feira passada, diretores da L.T.L Shipping, Klaas Leinenga e Popko Lamein, empresa da Holanda, estiveram no estado. Os holandeses estão interessados em investir nos portos gaúchos. Entre eles, o Porto de Estrela;

– Passados quatro meses e o governo lajeadense ainda não divulgou o montante economizado com o turno único. Lembrando que a mudança atingiu até postos de saúde;

– A Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou, nessa segunda-feira, projeto de lei que estabelece a utilização de lâmpadas LED em vias, prédios e espaços públicos. Em Lajeado, proposta semelhante tramita no Legislativo;

– Em Lajeado, vereadores questionam a destinação do esgoto gerado pela UPA. Faz pouco tempo, os dejetos iam diretamente ao laguinho do Jardim Botânico;

– O Instituto Gaúcho do Leite (IGL), coordenado por Oreno Ardêmio Heineck, protocolou pedido junto à Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa cobrando ações sobre a inadimplência das empresas processadoras de leite com o Fundoleite;

– Membros do PMDB de Lajeado não gostaram da aposta de palpiteiros sobre a chance de Enio Bacci (PDT) entrar como candidato a prefeito no lugar de Márcia Scherer. Pois nesta semana surgiu nova aposta: o PMDB estaria voltando a flertar com o PT.

“Ambiente limpo não é o que mais se limpa e sim o que menos se suja.”

Chico Xavier

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