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Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 14/04/2016

O constrangimento deveria servir de lição 2

Fico imaginando a expressão de alguns CCs da prefeitura de Lajeado após o Ministério Público do Estado pedir outra vez a extinção de mais de uma centena de funções consideradas, a grosso modo, inúteis.  É de um constrangimento absurdo ter que ouvir o óbvio. E pior. Saber que o óbvio, de fato, é verdadeiro.

Já escrevi antes e repito: existem, sim, CCs que comprovam suas necessidades dentro do governo. Mas é uma minoria. Uma pequeníssima minoria. Diria até que não passam de 20, dentro desse promíscuo universo de 159 cargos comissionados disponíveis no Executivo.

A lista dos CCs considerados inconstitucionais pelo procurador-geral do Estado demonstra o nível de desregramento que persiste sob a batuta dos gestores. São 66 “chefes de Setores”, 15 “coordenadores”, quatro “diretores” e mais 41 “supervisores” para uma prefeitura com só 14 secretarias. Pense comigo: como isso vai funcionar?

Fosse a prefeitura uma empresa privada e falência estaria concretizada há anos. Sei que são modelos de gestão diferentes. Mas ambos funcionam com pessoas, certo? E diante disso, como funcionaria uma empresa cujos empregados efetivos precisam cumprir ordens de “chefes” desqualificados e escolhidos politicamente?

Mas esse confronto entre servidores concursados e comissionados é o menor dos problemas. Até porque acho difícil que algum funcionário efetivo leve a sério a ordem de um “chefe”, “supervisor” ou “coordenador” totalmente despreparado para a função. Ao menos não deveria.

O problema maior é o gestor apostar – e acreditar – que certos inábeis conseguirão cumprir determinadas funções com êxito. Pior ainda é gastar fortunas para manter esses CCs, cuja única contribuição será prestada ao próprio gestor – ou partido – em uma campanha eleitoral. À sociedade em geral, não passam de um encravo aos cofres públicos.

Tal como o excesso de CCs, é tão ou mais embaraçoso ver que existem pessoas qualificadas que estão satisfeitas com esses cargos desprezíveis. Ora. Poderiam estar muito bem empregadas na iniciativa privada, com méritos e boas remunerações. Ou mesmo serem boas empreendedoras autônomas.

Mas não. Optaram pela imoralidade de receber nosso suado dinheiro para não fazer nada. Aliás, “fazer nada” seria uma afronta. Afinal, eles fazem campanha para quem os emprega. Nem que para isso tenham que utilizar da máquina pública. O que é ainda mais constrangedor.

E, tal como o artigo da semana passada, penso cá com meus botões: Como seria bom se bastasse o constrangimento. Como seria bom se esses CCs, cuja importância para a sociedade é literalmente pífia, percebessem o quão patética é a impressão que eles passam aos demais. Mas não. Eles empinam o nariz e seguem firmes na própria ilusão.

Enquanto isso, nós seguiremos pagando chefe sobre chefe dentro dos setores, todos circundados por outra penca de supervisores, diretores, auxiliares, assessores. Pagaremos para eles baterem cabeça nos estreitos corredores da prefeitura. E o mais grave é que não há, sequer, dinheiro para tudo isso.

Por fim, eu torço para que cada CC citado pelo Ministério Público do Estado faça uma reflexão pessoal: O meu cargo é realmente importante para a sociedade? Os astutos sairão pela porta da frente.


Fakes debatem política no Vale do Taquari

Viralizou. A presença de perfis fakes (aquelas pessoas que por falta de convicção nas próprias ideias se escondem atrás de perfis falsos no Facebook) aumenta com a proximidade das eleições. E é divertido ver a inocência das armações. Quem os cria, parece descobrir só agora o universo virtual, tamanha facilidade em desmascará-los.

A última foi hilária. Maria Orsic, uma médium iugoslava nascida em 1895, e que desapareceu em 1945, na Alemanha nazista, surgiu jovem e bela em plena Lajeado para atacar desafetos políticos. Alguns fakes defendem governos, outros atacam. E a política segue carente de pessoas dispostas a mostrar a cara no momento da discussão.


Tiro Curto

– Meus sentimentos à família e aos amigos de Pedro Albino Schul;
– Na Comarca de Estrela, prefeitos assumem riscos ao permitir que secretários exonerados – e pré-candidatos – sigam atuando como “secretários” após serem recontratados como coordenadores de setor;
– O prefeito de Lajeado, Luís Fernando Schmidt, e o assessor jurídico, Edson Kober, solicitaram ao MP uma investigação sobre contratos de limpeza urbana prestados entre 2009 e 2013 pela Lenan. E há um mês eles renovaram contrato de R$ 1,5 milhão com a Mecanicapina, essa já denunciada por fraude pelo mesmo MP;
– Na manhã do dia 12 de abril, vereador Cristiano da Rosa (PMDB) ocupava espaço em rádio para anunciar ações do EXECUTIVO. É a tal “independência” dos poderes de Estrela durante o ano de eleição;
– A licitação para contratar serviços de manutenção de muros, bocas de lobo, calçadas e afins em Lajeado não solicita das empresas o registro no Crea, diferentemente de outros editais;
– MPC sugere multa de R$ 15 mil ao prefeito de Imigrante, Celso Kaplan (PP), por “sobrepreço em licitação para contratar serviços de máquinas e ausência de orçamentos prévios detalhados”;
– Tribunal de Justiça decide por projeto que institui cotas para negros em concursos do Judiciário gaúcho. A seleção para juiz de Direito já prevê reserva de vagas;
– Eloede Conzatti (PT) voltou à câmara. Nessa terça-feira, mandou Delmar Portz “ficar quieto”, respondeu aos gritos a um simples questionamento deste colunista e, por fim, comparou a merenda escolar do governo municipal de Lajeado com a do governo estadual de São Paulo. E eu aqui sonhando com o fim da reeleição para vereadores.
Que a paz prospere neste domingo. Boa quinta-feira a todos!

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