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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 07/04/2016

O constrangimento deveria servir de lição

A vergonha e o constrangimento público costumam ser implacáveis com agentes políticos de países sérios. O caso mais recente envolve o primeiro-ministro islandês, Sigmundur David Gunnlaugsson, que renunciou ao cargo após ver seu nome envolvido no escândalo denominado de “Panama Papers”.

Gunnlaugsson renunciou antes mesmo da votação de uma moção de desconfiança por parte do Parlamento. Não há espaço para agentes investigados em países como Islândia, Suécia, Dinamarca, entre outros. Na dúvida, afasta-se o servidor. É o mínimo a fazer quando a situação envolve gestores do nosso dinheiro.

Lembro – sempre lembro – dos exemplos levados ao mundo pelos japoneses. Recordo de algumas imagens de agentes políticos chorando diante de repórteres. Ou pedindo perdão por erros bem menos graves do que esses que costumamos acompanhar no Brasil. O constragimento e a vergonha são implacáveis com eles, repito.

Em 2014, por exemplo, a então ministra da Justiça do Japão, Midori Matsushima, se demitiu do cargo devido a denúncias de suposta violação da lei eleitoral. Ela teria distribuído abanadores com uma caricatura sua, nome e cargo que ocupava durante a campanha eleitoral, supostamente financiados com fundos estatais entre 2012 e 2014, o que é proibido pela lei eleitoral japonesa.

Não foi preciso aguardar pela Justiça. Não foi levado em conta o “princípio da presunção da inocência”, termo utilizado de forma recorrente por advogados da região para defender agentes públicos suspeitos de condutas imorais.

É simples. Pela moralidade e transparência das investigações nesses países tão distantes da nossa realidade, os políticos abandonam seus cargos imediatamente após surgirem as suspeitas. Seguir recebendo salário do contribuinte é, no mínimo, uma afronta à inteligência dessas sociedades mais evoluídas. Ademais, nada impede que voltem. Se compravada a inocência, claro.

Lembro desses fatos para analisar a situação do prefeito de Estrela, Carlos Rafael Mallmann, denunciado pelo Ministério Público (MP) por gastar dinheiro do contribuinte para comprar um prêmio para ele. Uma distinção que o indicou como um dos 50 melhores gestores do país, ao lado de prefeitos de Uruoca, no Ceará, Babaçulândia, no Tocantins, e Itaporanga, na Paraíba.

A promoção pessoal comprada com o dinheiro dos impostos da comunidade é constrangedora. Mas nossos políticos não se constrangem. E achar que a devolução parcelada em dez meses do dinheiro é suficiente para livrá-lo de tal embaraço é mais uma prova de que estamos anos luz atrasados.

Hoje, mesmo após a polêmica ganhar a mídia estadual, o falso prêmio segue exposto na prefeitura. Está lá. Como se fosse por merecimento. O assunto parece ser tratado com desdém pelo governo estrelense.

E se nem o constrangimento foi suficiente, o mesmo espero da Justiça. Infelizmente. Afinal, foram dez meses – desde a polêmica – até que o MP ajuizasse a ação. Tempo suficiente para o gestor quitar, em dez vezes, a devolução do valor. Logo, o objeto da investigação perde força.

Para se ter uma ideia, em Mostardas, onde o prefeito recebeu o mesmo prêmio, a ação foi ajuizada em dois meses pelo MP local. Mas enfim. Por mim essa ação seria até desnecessária, se bastasse o constrangimento como lição.


Dinheiro na mão é vendaval

Em junho de 2015, o prefeito de Lajeado assinou contrato de aluguel de um pavilhão por R$ 8 mil. Passados dez meses, enfim o imóvel – que pertence a um ex-CC da prefeitura – será utilizado. E com uma surpreendente novidade: a Comissão de Avaliação de Imóveis do Governo sugere que o prefeito pague só R$ 6 mil pelo mesmo aluguel.

Ou seja. O primeiro contrato parece que não passou por tal avaliação. Tivesse sido realizado um processo administrativo sério, e o abusivo valor de R$ 8 mil mensais para um prédio de 570 metros quadrados nunca teria sido aprovado. Mas, como tantos outros contratos firmados pela administração municipal, a economia não parece nortear tais escolhas.


Tiro curto

– A psicóloga de Estrela que criticou a postura de um vereador, citando desacato e falta de educação, atua no Caps, e não no Cras, como mal publicado na semana passada;
– Definidas as chapas à majoritária em Santa Clara do Sul. Pela situação, Paulo Kohlrausch (PMDB) e Fabiano Immich (PMDB) enfrentam Fábio Fischer (PSDB) e Ademar Wolschick;
– Márcia Bald (PDT), vereadora de Santa Clara do Sul há três legislaturas, estaria deixando a política;
– Atleta de paratriathlon, o lajeadense André Barbieri está muito próximo de uma vaga nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Para isso, busca patrocínio junto a empresas e instituições da região para garantir foco total nos treinos. A Docile Alimentos já auxiliou com R$ 15 mil;
– O MPC pede multa ao prefeito de Roca Sales, Nélio Vuaden (PSDB), por suposto descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, em razão de irregularidades relacionadas à Lei de Acesso à Informação e insuficiência financeira no exercício de 2014;
– A Secretaria de Obras de Lajeado tem três novos CCs. Dois deles com salários de R$ 3,1 mil, e outro de R$ 3,8 mil. Entre os contratados, um ex-assessor de vereador, o ex-prefeito de Boa Vista do Sul, e o irmão da fiscal de Obras interceptada nas gravações do MP enquanto agendava encontro do prefeito com empresários suspeitos do Cartel do Lixo;
– Vereadores de Lajeado querem abrir CPI do Lixo um ano após a Operação Conexion do MP mostrar possível envolvimento do prefeito com o Cartel do Lixo. Um ano depois! E ainda querem aplausos…Boa quinta a todos!

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