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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 21/04/2016

O impeachment veio para mostrar o pior do Brasil

Não há como negar. “Coxinhas”, “petralhas”, “reaças”, “isentões” e “mortadelas”. Seja quem for o detentor desses estapafúrdios rótulos, todos ficaram constrangidos com as barbáries ditas a esmo por uma sequência de desqualificados parlamentares durante a votação do impeachment.

A palavra vergonha, segundo a BBC Brasil, foi citada mais de 270 mil vezes no Twitter no domingo. Nas demais redes sociais, a vergonha alheia foi mais contundente. Graças a isso só a Câmara dos Deputados conseguiu, até agora, desqualificar a tentativa de impedimento da presidente.

Por um lado, tudo isso é proveitoso. O processo de impeachment escancara o pior do Brasil. Iniciando pelas seguidas interferências do Judiciário sobre Executivo e Legislativo, passando pelo desgoverno do PT e as artimanhas golpistas do PMDB, e finalizando com o espetáculo pitoresco dos parlamentares que nos custam R$ 1 bilhão por ano.

Sobre domingo, é bom lembrar que só 36 dos 513 deputados federais foram eleitos em 2014 pelo voto próprio. Só 7% alcançou o número mínimo de votos, o chamado quociente eleitoral. Todos os demais 477 foram beneficiados pelo número que ultrapassa esse quociente, distribuído para outros parlamentares do partido dos candidatos mais votados. E muitos brasileiros não sabiam disso.

Só Tiririca, a estrela de Florentina, puxou outros cinco parlamentares com o seu um milhão de votos em São Paulo. No norte, teve deputado eleito com menos de dez mil votos. Além do palhaço, destaco entre aqueles que chegaram com as próprias promessas o pastor Marco Feliciano, o delatado – e intocável – Eduardo Cunha, e o reacionário Jair Bolsonaro.

E é preciso falar mais de Bolsonaro. O deputado homofóbico fez, de fato, um favor à Dilma Rousseff ao homenagear o único torturador do regime militar condenado pela Justiça. Devolveu a ela a sina de vítima, sempre bem utilizada pelos marqueteiros do PT. E ela é vítima. Ele ainda nos “presenteou” com a transparência necessária para identificar certos reacionários entre nós, antes enrustidos.

Libertados, muitos vieram à tona aqui na região. “Quem defende a nostalgia das ossadas tem mais é que se danar”, comentou um empresário sobre o regime militar. Seguiu com ataques ao deputado Jean Wyllis. “Era 3% saliva e 97% esperma”, escreveu ele no Facebook, referindo-se ao cuspe desferido pelo parlamentar dentro do Congresso. Belo, recatado e do lar, não?

Bolsonaro é idolatrado por esses. Eles compactuam – mesmo que alguns neguem – com frases do quilate de “Prefiro que meu filho morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”; “Pinochet devia ter matado mais gente”; e “a Polícia Militar perdeu a oportunidade de matar mil bandidos”, referindo-se à matança de 111 presos do extinto Carandiru.

Felizmente, esses fazem parte de uma mísera minoria no país. E o necessário desprezo ainda os levará ao merecido ostracismo. Não há mais lugar para esse tipo de pensamento. Ontem mesmo, a Procuradoria-Geral da União instaurou procedimento contra Bolsonaro, após mais de 17 mil manifestações por parte da sociedade do bem.

A OAB também quer cassá-lo. É o fim do sonho de virar presidente para esse que, em 26 anos de plenário, só conseguiu aprovar uma emenda própria. Só uma. Convenhamos. Não há motivo para seguir apostando em quem faz das ameaças e da ignorância a sua única virtude. O Brasil sabe disso.

Da mesma forma, não é possível aceitar as seguidas ameaças proferidas por líderes de MST, CUT e afins. O ódio padecerá. E o processo do impeachment veio como um espelho para percebermos nossos defeitos. Quem sabe, lá na frente, comemoraremos uma grande mudança. Eu boto fé!


Deixem a Clínica Central em paz

Desrespeito à história da Central. É assim que enxergo a truculência da 16ª Coordenadoria Estadual de Saúde ao negar o alvará de funcionamento para a centro de tratamento construído com amor pela comunidade de Lajeado há quase 30 anos. Mas a causa certamente não fica só na questão do respeito.

Lobby e interesse. Sim. Lobby sobre agentes públicos e interesse financeiro de novos “investidores” da área da saúde estão por trás da tentativa de fechar a Central. Muitos já perceberam as intenções obscuras de outros profissionais da área da psiquiatria. E predador que busca dominar mercado atropelando os outros não merece respeito.


Tiro curto

– O senador Zezé Perrela, do PTB de Minas Gerais, em cujo helicóptero da família foram encontrados 450 quilos de puríssima pasta de cocaína, foi indicado membro da Comissão que vai julgar se Dilma Rousseff cometeu crime de responsabilidade;
– Dúvidas nas obras do PAC. Dúvidas nos pilares dos apartamentos populares. Dúvidas na obra da creche. Certezas sobre maus contratos de limpeza urbana. Dúvidas sobre consultorias. Dúvidas sobre aluguéis. Não seria hora para uma força-tarefa em Lajeado?;
– Em Lajeado, tem quem ainda aposte em Sérgio Kniphoff (PT) como candidato a prefeito. Um outro nome, bastante ligado com a Univates, poderia entrar como vice nesta chapa;
– Virou rotina vice-prefeitos serem impedidos de participar da gestão municipal. Foi assim em Progresso, e é assim em Cruzeiro do Sul;
– Consórcio de empresas contratado para as obras de pavimentação pelo PAC em Lajeado não gostou dos termos do TAC proposto pelo Ministério Público Federal (MPF). Na próxima semana, o processo poderá ser judicializado por falta de acordo. As obras seguem paradas;
– Prefeito de Estrela assinou 118 leis para contratações emergenciais em pouco mais de três anos. Concurso público parece ser uma desnecessidade naquele município;
– São diversas reclamações sobre as obras realizadas em Lajeado pela Corsan. O Executivo parece lavar as mãos. Isso que o prefeito, Luís Fernando Schmidt, recebe R$ 4 mil mensais para ser um dos conselheiros da estatal;
– Em Colinas, a pintura da quadra esportiva municipal custou R$ 30,8 mil. Em Lajeado, a instalação – sem contar os equipamentos – de cinco academias ao ar livre custará R$ 100 mil. É a crise, amigo. Boa quinta-feira para todos!

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