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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 24/03/2016

O último que sair apaga a luz

Não é golpe. Desista dessa argumentação. A Polícia Federal não está gastando tempo e trabalho para apagar o PT dos livros de história. E se você ainda não percebeu isso, preocupe-se. Pois corre o sério risco de estar inconscientemente a serviço de alguém que não merece sua defesa.

A operação dessa quarta-feira foi histórica. Mais de 200 políticos ligados a pelo menos 18 partidos citados em planilhas de distribuição de recursos encontradas na residência de um diretor da empreiteira Odebrecht. Verbas ilícitas? Não se sabe. Mas é no mínimo constrangedor para uma penca de moralistas de plantão.

Esses terão que explicar por que uma das empreiteiras mais enroladas nos volumosos crimes cometidos contra a Petrobras despejou tanto dinheiro em seus nomes. E as especulações são as piores possíveis.

Só no RS, foram quase 50 agentes públicos. De tudo que é partido, crença ou ideologia. Se confirmadas as ilegalidades sobre tais recursos, não sobrará pedra sobre pedra. E poucos seguirão aptos a discursar com moral perante tantas evidências contrárias.

A devassa promete ser geral. Do PP gaúcho, surgiram nomes pomposos como o da senadora Ana Amélia Lemos e dos deputados José Otávio Germano e Frederico Antunes. Sem falar nos progressistas mais ligados com a região, como Afonso Hann e Renato Molling.

O PT não ficou atrás. Consta na lista nada mais nada menos do que o ex-governador Tarso Genro. Além de outras figuras ilustres do partido, como Maria do Rosário, Marco Maia, Helen Cabral e Adão Villaverde. O ex-deputado, Ronaldo Zulke, padrinho de políticos petistas do Vale do Taquari, também está lá.

E a lista segue a galope por diversas siglas. Heitor Schuh e Beto Albuquerque, do PSB, Manuela d’ Ávila, do PC do B, Osmar Terra, PMDB, são outras figuras públicas de reconhecido destaque que figuram na sombria – e agora sigilosa – planilha. Coloque aí também o atual prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, do PDT, a tucana, Tarsila Crusius, e Sérgio Zambiasi, do PTB.
No resto do país, a lista causou furor da mesma forma. José Serra, Fernando Haddad, Aécio Neves, José Sarney, Eduardo Paes, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Jacques Wagner. É o alto escalão da política nacional posto definitivamente na parede.

A Operação Lava-Jato surpreende positivamente a cada dia. Age de forma avassaladora contra a corrupção encravada no poder público e empresarial da nossa jovem democracia. E com a mesma velocidade com a qual faz tremer os mais poderosos homens do país, ela mostra uma série de falhas nas nossas instituições.

Ela mostrou a manutenção de policiais federais corruptos atuando em uma operação de combate à corrupção, e também uma pessoa investigada ser indicada a ministro. Mostrou ainda como o condicionamento escancarado de um juiz federal por parte da grande – e seletiva – mídia não lhe impede de atuar, assim como nos mostra como são demagogos alguns ministros do Supremo indicados politicamente. A máscara caiu para todos. E isso é muito bom.

Políticos, megaempresários, jornalistas, juízes, policiais federais ou promotores de Justiça. Todos estão em xeque. Defeitos e vícios antes discretos aos olhos da sociedade estão sendo devidamente questionados e expostos. Que apague a luz o último a sair.


Síndrome de Estocolmo

A renovação do contrato de capina com a empresa suspeita de integrar o Cartel do Lixo é um tapa na cara dos lajeadenses. Garante mais R$ 1,5 milhão do nosso dinheiro para os empresários denunciados pelo MP, que ainda cobra deles a restituição de R$ 4,5 milhões – do nosso dinheiro – por fraude nas nossas licitações. E tem quem considere o prefeito uma mera “vítima” desse cartel.


Tiro Curto

– O Legislativo de Estrela não aderiu ao café “gourmet”, como mal noticiado na coluna passada. Na verdade, além da câmara de Lajeado, a bebida é servida na sede parlamentar de Cruzeiro do Sul;
– Força ao vereador de Santa Clara do Sul Claiton Wickert (PTB). Popularmente chamado de “Calet”, enfrenta delicada cirurgia no dia 1º de abril;
– Assessor de imprensa de Lajeado fotografava manifestantes na segunda-feira. Aguardo o envio da matéria. Já os servidores desconfiam que tais imagens servirão para intimidar os reclamantes;
– A 3ª Vara Federal de Santa Maria condenou o ex-presidente do TCE-RS, João Luiz Vargas, pelos crimes de desvio de verbas e formação de quadrilha;
– Vereador estrelense, Paulo Floriano Scheeren (PTB) é leitor da coluna. No plenário, disse que este colunista tenta insistentemente depreciar os parlamentares. Calma, “Paulão”. Eu só mostro os fatos;
– Sérgio Kniphoff (PT) foi vaiado ao entrar no plenário da câmara de Lajeado nessa terça-feira. Mas a vaia não foi unânime entre os quase 200 manifestantes presentes na sessão;
– Para o Ministério Público de Contas, o presidente da câmara de Santa Clara do Sul, Mauro Heinen (PTB), não atendeu – a pleno – a Lei de Responsabilidade Fiscal em 2014. As falhas estão no site;
– Em Teutônia, vereadora Mareli Vogel (PP) deve ser a candidata à majoritária pela situação. Evandro Biondo (PMDB), até então o favorito, perde força e pode ficar de fora. Wilson Markus (PMDB), pai da ex-Miss Brasil, Gabriela Markus, deve completar a chapa;
– O acordo assinado pelo Governo de Lajeado para construção da creche do bairro Conventos tem equívocos. O problema está nas diferenças entre as planilhas de custo do edital e do contrato. Podem chegar a 30%, e os recursos são federais. Boa quinta a todos!

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