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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 18/02/2016

Tudo é uma questão de prioridades

O choro dos vereadores da base governista e do próprio Executivo de Lajeado após a rejeição do empréstimo com o BRDE deixou de beirar ao ridículo. Os chorosos conseguiram afogar suas credibilidades nas próprias lágrimas, e o senso do ridículo não ficou para trás. Afundou junto.

Não é preciso entrar na questão do prazo estipulado pelo banco regional, pateticamente desrespeitado pelo governo. Isso, aliás, abre precedência para qualquer contribuinte desrespeitar limites de prazos estipulados pela prefeitura. Afinal. Se o prefeito não respeita, com que moral cobrará?

Também é desnecessário discutir as taxas de juros e tampouco o tempo de amortização pleiteado, o que por si só já é uma sandice quando o dinheiro – de fato – não pertence a quem solicita tal empréstimo. Vou me ater, hoje, a apenas uma palavra: prioridade.

É possível discutir prioridade em várias esferas. Li, vi e ouvi vereadores afirmando que o asfalto é a solução para diminuir filas nos postos de saúde. A analogia – posso chamar assim? – se deve ao fato da poeira ser apontada por eles como uma das maiores causadoras de enfermidades na cidade.

Claro que não é. Assim como o asfalto não é a única forma de pavimentar vias, claro. Pelo contrário. É a menos ecológica. A menos sustentável. E o que isso significa? Que a prioridade do governo é utilizar a forma mais custosa acima de tudo. Quem paga sabe muito bem disso.

Além da má escolha no modelo de pavimentação, o governo escolhe mal onde gasta os “poucos” recursos próprios. Vamos aos fatos. Só com o suspeito contrato de limpeza urbana, questionado desde o início por este jornal, o prefeito teria gasto R$ 4,8 milhões de forma – no mínimo – desnecessária.

É o Ministério Público cobrando a devolução desse valor por parte da empresa, pois a acusa de vencer a licitação por meio de uma fraude. E, caro leitor, nenhum – sim, nenhum – vereador da base governista levantou um só dedo para requisitar tal valor. Podiam ter solicitado o rompimento de outro contrato custoso e ainda vigente com tal empresa. Mas não. Suas prioridades são outras.

Só esses R$ 4,8 milhões seriam suficientes para atender a ânsia de asfalto do prefeito e seus comparsas. Aliás. Poderia sobrar. Pois o pedido original previa empréstimo de R$ 3 milhões com o BRDE para as mesmas ruas que, em menos de duas semanas, passaram a custar R$ 4 milhões.

Imagina então se o prefeito investisse em pavimentação só metade do R$ 1 milhão gasto com publicidade em 2015. Ou mesmo o R$ 1,7 milhão devolvido pela câmara em 2015. Evitaria muita fila em postos de saúde, não? Mas, assim como em exemplos anteriores, a prioridade do governo por anúncios não foi questionada em momento algum pelos fervorosos vereadores.

A outra prioridade questionada por este colunista é a própria pavimentação. Será que pavimentar rua é, de fato, a maior urgência? Tenho sérias dúvidas disso quando Lajeado mantém, no último ano do atual governo, o mesmo pífio índice de 0,7% de tratamento de esgoto em toda a cidade anunciado pela gestão anterior.

Aliás, com o aumento da população nestes três anos, tal índice baixou, pois nada foi feito para ampliá-lo. Outra vez, isso não é prioridade por um motivo óbvio: As ações dos nossos “gestores” precisam ser vistas. E, para isso, nada mais atraente — para quem se acostumou com migalhas — do que o precursor asfalto. O ouro de tolo.

Por fim, o fato mais claro nessa discussão é o teor eleitoreiro. De um lado, governistas tentam imputar aos parlamentares contrários à culpa pela falta de pavimento. De outro lado, opositores que no passado aprovaram empréstimos agora aproveitaram a chance de atrapalhar o anúncio de novas obras em um ano eleitoral.


Imagina se a corrupção chegar ao Vale….

Fico imaginando se um dia essa prática danosa de empresários quitando apartamentos ou casas, ou mesmo bancando reforma e ampliações de imóveis em troca de favores e contratos com gestores públicos chegar, de fato, ao Vale do Taquari.
Certamente haveria prefeito comprando casa em nome do cunhado, ou no Rio de Janeiro; loteadora pagando taxas de transferência de imóvel para chefe de gabinete; ampliação de cozinha em casa de assessor no litoral gaúcho; e, talvez até, recebimento de terrenos em nome de familiares.


Endividamento

As administrações municipaistêm, por lei, limite de 14,80% de comprometimento da Receita Corrente Liquida para gastar com operações de crédito – ou empréstimos, a grosso modo. Estrela impressiona pela proximidade com esse índice. Em 2015, conforme dados do Tribunal de Contas do Estado, o endividamento atingiu perigosos 14,4%.


Tiro Curto

Prefeito Luís Fernando Schmidt e secretaria adjunta disseram que a alta arrecadação do IPTU com desconto é sinal de “aprovação do governo”. Alguém concorda com essa ideia referente a um imposto compulsório?

Turno único. Conforme informações da Secretaria da Fazenda de Lajeado, “é difícil precisar o valor exato da economia. Houve uma redução de gastos com combustível, manutenção de veículos, energia elétrica e horas extras”;

Sobre problemas de internet na zona rural de Estrela, o governo municipal cita que são mais de 400 assinantes de internet, 1.200 telefones fixos e mais sete centrais telefônicas que atendem todos os distritos;

Vereador Ildo Salvi faz questão de citar que o partido REDE, em Lajeado, não integra a base governista. De outro lado, outros ligados ao partido seguem na luta para garantir mais CCs dentro da prefeitura;

Em 2013, ao criar a Secretaria de Segurança Pública, o governo de Lajeado anunciou que a cidade contaria com cinco núcleos comunitários com quatro policiais militares, um automóvel, uma bicicleta, armamento e equipamento, além de um núcleo de suporte junto à Polícia Civil e mais uma patrulha Maria da Penha, ligada diretamente à Delegacia da Mulher. Pouco foi cumprido;

Pegou mal. Em uma postagem no Facebook, o vereador Sérgio Kniphoff (PT) insinua que o ex-presidenciável, Aécio Neves, seria um “narcotraficante”. Por vezes, é melhor cuidar com o teclado. O mesmo vale para uma secretária de Educação. Boa quinta-feira a todos!


“Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto, é realidade”
Raul Seixas

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