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Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 16/06/2016

Tudo igual em Lajeado

A confirmação das três coligações coloca um grande ponto de interrogação na cabeça de quem gosta de apostar e opinar sobre política. São diversas teses, pesquisas internas e convicções. Para mim, a impressão inicial é de um pleito muito concorrido. E sem favoritos.

Talvez – e eu grifo essa palavra –, o atual prefeito, Luís Fernando Schmidt (PT), largue com uma pequena vantagem em relação aos futuros adversários, Marcelo Caumo (PP) e Márcia Scherer (PMDB). Uma singela, mas importante vantagem.

Os motivos para isso são óbvios: Schmidt tem a máquina do governo à sua disposição. E, diante de tal realidade, é de se esperar que o eleitor pense nele no momento do voto, mais do que em seus concorrentes. Sem falar nas vantagens publicitárias de quem está no poder. Tudo isso em tese, claro. E se a soberba de alguns secretários baixar…

Mas, assim como Caumo e Márcia neste ano, Schmidt enfrentou a máquina do governo em 2012. E venceu. Da mesma forma como foi derrotado tantas outras vezes. É do jogo. Ao mesmo tempo, ele enfrenta a rejeição que cabe a qualquer gestor. Seja por más escolhas, ou até mesmo por interessantes projetos que, por vezes, não são aceitos da melhor forma possível pelos eleitores.

Schmidt deve usar a causa social como bandeira principal. Com destaque para os mais de 440 apartamentos populares – ainda em construção – na divisa entre os bairros Santo Antônio e Jardim do Cedro. A obra lhe valerá alguns votos, com certeza. E isso não é uma crítica.

Já os tumultos na Justiça, iniciados com as polêmicas licitações para serviços de limpeza urbana e – até o momento – findados com a suspensão das obras do PAC pelo Ministério Público Federal, não devem interferir judicialmente contra ele até o pleito de outubro. No entanto, moralmente, e dependendo de até onde for o interesse do eleitor, ele está devidamente desgastado.

Pelos lados do PP, Caumo é novamente a aposta do partido. Fora derrotado pelo mesmo Schmidt, em 2012, dentro de um cenário completamente diferente. Os progressistas estavam há 16 anos no poder. Havia um sentimento de mudanças pairando no ar. A impressão era que qualquer adversário derrotaria o PP, sob quaisquer circunstâncias. Agora, o tabuleiro pode mudar.

Agora, Caumo luta novamente contra sua pouca popularidade. Ele pouco foi visto desde o fim da campanha, em outubro de 2012. A discrição pode servir para o bem ou para o mal. Livra ele de pré-julgamentos e rejeições, mas coloca sempre um ponto de interrogação sobre o eleitor. Afinal, na política brasileira, quem não é visto não costuma ser lembrado. Mas isso não é regra.

O momento político, em todo o país, urge por renovação. Aos 38 anos, Caumo pode significar isso para alguns. E com suporte de nomes mais conhecidos, como o próprio ex-prefeito, Cláudio Schumacher, pode driblar sua pouca popularidade, desde que apresente propostas maduras, fugindo dos velhos discursos proferidos pelos eternos agentes públicos.

A delegada, Márcia Scherer, está na mesma situação. Conta com mais popularidade em relação a Caumo, mas não tem tanta experiência dentro de gestões públicas, como possuem o progressista e o próprio Schmidt. Além disso, ela é, desde o início, a grande aposta do PMDB. E tal convicção é uma vantagem, embora o diretório do partido tenha falhado ao admitir que seu vice, o radialista Renato Worm (PDT), seja o “plano B”.

Faltando menos de quatro meses para as eleições, não consigo vislumbrar qualquer favorito. A escolha por três coligações deixou tudo igual em Lajeado. E isso seria completamente diferente se o atual prefeito enfrentasse só um adversário.


A consciência vai pesar. E com o tempo o peso aumenta

Creio ser impossível mensurar a dor da família Wendt. Neste domingo, 19, fecha o primeiro mês da trágica morte de José Renato Wendt, 61 anos, um dos fundadores da Unopar. O aposentado foi atropelado 11 dias antes da morte quando estava na faixa de segurança, na esquina da rua Saldanha Marinho com a av. Benjamin Constant.

O motorista fugiu. Não prestou socorro e, passados quase 30 dias do óbito, ainda não teve a coragem e a decência de se apresentar. À família, sobrou a derradeira dor da perda e a completa ausência de justiça. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, com poucas perspectivas de conclusão. Resta torcer para que a consciência do condutor pese. E muito.


Tiro Curto

– Novidade em Forquetinha: o PMDB, como oposição, lança Heitor Groders, o “Tuia”, para pré-candidato a prefeito. Mas o fator surpresa está ao seu lado. A candidata à vice será Jaqueline Bottoni Gisch, viúva do ex-prefeito, Lauri Gisch. A decisão foi tomada ontem;
– Na coletiva do PP de Lajeado, na sexta-feira passada, representante do DEM se referiu ao PT usando palavras como “maligno” e “câncer”. Um exagero desnecessário perante a imprensa;
– Auri Heisser, o secretário de Governo de Lajeado, insiste em gastar mais. Quer porque quer descontruir o relatório econômico do MPF, que aponta sobrepreço de R$ 2,6 milhões nas obras viárias do PAC. Tal valor é suficiente, por exemplo, para construção de duas creches semelhantes àquela que segue na planta, em Conventos;
– Em Arroio do Meio, um pré-candidato a vereador colocou a prefeitura na Justiça. A questão é referente à insalubridade. Hoje, ele trabalha no setor de Agricultura do Executivo;
– Falta coerência ao PP, em Lajeado. Enquanto a coligação anuncia uma “nova política” para 2017, o filho do presidente da sigla é indicado como assessor parlamentar na câmara do município;
– Também em Lajeado, chama atenção a constrangedora forma como correligionários do PMDB – sem ligação com a câmara – se utilizam das salas do Legislativo para reuniões partidárias;
– Governo de Lajeado pode se incomodar em função de contratos com empresa de extintores;
– Frase do vereador de Encantado, Gustavo Scatolla, do PMDB. “A empresa Arki é uma Lava Jato de mangueira”;
– Direção da Escola Municipal João Beda Körbes, de Arroio do Meio, informa: A reclamação pela falta de monitores para alunos com necessidades especiais partiu de uma professora, e não da equipe toda. Informa ainda que um concurso público está em fase final para preencher as vagas em aberto. Boa quinta-feira a todos!

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