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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 12/05/2016

Um duríssimo golpe na jovem democracia

Não tem mais volta. O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff sempre esteve fadado a sair de qualquer forma. Houvesse crime ou não. Se o PT fez o “diabo” para se manter no poder, a oposição se abraçou a ele para derrubar o partido popular que governa o país faz 13 anos.

O partido que ostenta o número 13 deixará o comando do país até esta sexta-feira 13. Será um esmorecido fim político para a primeira presidente mulher do Brasil, que se mostrou, acima de tudo, incapaz de manter a instabilidade governamental diante da primeira tempestade enfrentada desde que assumiu, em janeiro de 2011. Ela naufragou.

Dilma governou razoavelmente bem até o fim do primeiro mandato. Navegou em mares calmos, é bem verdade, diante de uma oposição ainda controlada por meio de obscuras manobras. Veio no embalo dos bons índices de aprovação do antecessor, Lula, e se manteve nas alturas graças aos programas sociais que funcionaram relativamente bem até o pleito de 2014. Mas tudo mudou.

A presidente visivelmente perdeu as rédeas logo após a reeleição. Começou mal, ao erguer o braço de Lula no discurso da vitória e chamá-lo de “presidente”. Ali, mostrou aos seus 54 milhões de eleitores que ela, de fato, não era a governante. E quando não se assume o leme, não adianta lamuriar quando estiver sozinha na berlinda.

Acreditar que o apoio popular seria um eterno álibi para uma série de erros e atos ilícitos foi outro erro de Dilma. Mensalão, Petrolão, Lava-Jato, dinheiro de propina em campanha e outros fatos jamais vão apagar os ganhos sociais do Brasil nestes últimos 13 anos, é fato. Mas retiraram boa parte do poder de persuasão do PT sobre os militantes de esquerda. Outro fato.

Aliado a essa série de escândalos de corrupção, verifica-se ainda uma determinante traição aos ideais da esquerda nacional. Dilma e a popular sigla vermelha se aliaram a partidos cujas ideologias são completamente opostas ao ideal socialista. Distribuíram ministérios para inimigos e torraram dinheiro público com novas “secretarias” só para atender partidos “aliados”.

E não é só isso. Dilma falhou ao não cumprir promessas feitas à população, como a extinção de ministérios e CCs. Falhou criminalmente ao nomear como ministro um cidadão investigado pela PF e MP. Falhou, ainda, ao permitir que os atrasos de repasses aos bancos públicos atingissem patamares jamais vistos na história, dando certa margem de razão aos opositores.

A presidente também falhou ao retirar recursos do Pronatec, do Fies, da educação, da saúde, da infraestrutura….Falhou em não admitir os problemas financeiros no período pré-eleitoral. Falhou em deixar obras públicas já iniciadas pela metade, como é o caso da nossa BR-386. E falhou cruelmente com a sua esquerda, ao vetar a prometida auditoria das dívidas públicas.

E, mesmo diante de tantos falhas, entendo que o impeachment ainda é um golpe – no sentido literal da palavra – muito duro na nossa jovem democracia. Muito em respeito aos votos de amigos petistas, pelos quais tenho imensa consideração, tanto pela honestidade como pela sensatez desses. Mas, melancolicamente, Dilma fez por merecer.

Se isso tudo é um golpe de Estado ou simplesmente impeachment, eu não sei. Essa conclusão eu deixo para o leitor. Concluo apenas que golpe é tratar esse processo como “o fim da corrupção”. Pois não é. Definitivamente, não é.


Prefeitos, literalmente, “marcham” no caos de Brasília

Fico cá com meus botões: o que os prefeitos do Vale do Taquari estão fazendo em Brasília neste momento explicitamente conturbado da política nacional? O que os prefeitos de pequenas cidades da região esperam conseguir na capital federal durante o período mais conturbado do milênio? Quem eles imaginam que prestará atenção neles?

É evidente que a Marcha dos Prefeitos não terá resultado algum diante de tantos outros assuntos em pauta no Distrito Federal. Nem em dias mais calmos costuma fazer efeito. Assim como é evidente que o gasto de recursos do contribuinte para bancar as viagens e as estadias dos gestores municipais é um desperdício completo. No mês passado, foram os vereadores.

Tiro Curto

– A atriz lajeadense, Gabriela Munhoz, é uma das protagonistas do filme Vidas Partidas, do diretor Marcos Schechtman, e protagonizado também pelos atores Domingos Montagner e Naura Schneider. O longa é inspirado nas estatísticas de crimes praticados contra a mulher;

– Cinco vereadores assinaram, no dia 6 de abril, o pedido de abertura da CPI do PAC em Lajeado. Desde então, o presidente, Heitor Hoppe (PT), segue protelando o inquérito;

– Prefeitura de Colinas foi condenada por demitir funcionário público em 2012. O Tribunal de Justiça ordena a recontratação em até 15 dias do servidor, e exige pagamento ao réu – que também reclama de perseguição pelo gestor da época – do equivalente à remuneração que deixou de receber desde março daquele ano até sua efetiva reintegração. A dívida será alta;

– O advogado, José Antônio Paganella Boschi, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça e promotor no famoso “Caso Alex Thomas”, vai defender o prefeito de Estrela, Rafael Mallmann (PMDB), no processo de improbidade movido pelo MP em função da compra de um prêmio;

– Caso o deputado federal Waldir Maranhão, (PP-MA) seja afastado da presidência da Câmara, assumirá o parlamentar Fernando Giacobo (PR-PR), que já foi réu no STF em três ações – todas prescritas – e ganhou na loteria 12 vezes em um período de 14 dias, em 1997;

– A câmara de Fazenda Vilanova, por meio do presidente, Léo Motta (PSD), arquivou o projeto de iniciativa popular que visava reduzir o salário dos legisladores. Em, Teutônia, parlamentares querem fazer o mesmo. A desculpa esfarrapada é sempre a mesma;

– Em Lajeado, virou rotina a presença de ex-secretários – e pré candidatos a vereador – em fotos de ações do Executivo divulgadas pela Assessoria de Imprensa. Boa quinta para todos!

“Democracia é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder.”

Carlos Drummond de Andrade

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