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Jornal A Hora

Opinião

Rodrigo Martini Rodrigo MartiniJornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coluna publicada diariamente
Publicada em 09/06/2016

Um passo para frente. Centenas de passos para trás.

A escolha de Osmar Terra para comandar o Ministério do Desenvolvimento Social é a mais perfeita síntese do retrocesso. Nada pessoal contra o ministro/médico/parlamentar. O meu enrosco com ele é ideológico.

Terra parou no tempo. Por gosto, ou de forma ingênua, alimenta o que há de pior no ser humano quando o assunto é a problemática do abuso das drogas. Sua última pérola deixou claro o desprezo com os dependentes, e também com os maconheiros de fim de semana: “É preciso mais punição aos usuários”, proferiu em entrevista d’O Globo.

Adepto da larica custeada com o dinheiro do contribuinte, o eterno agente público quer endurecer ainda mais a política de combate às drogas no país. Quer mais punição a quem fuma “unzinho”, estando ele cercado de políticos impunes. Quer ver nossa polícia mais atenta – e consequentemente mais distraída para outros crimes – aos maconheirinhos na beira do Lago Paranoá.

Vai insistir naquilo que não funciona, nunca funcionou e jamais funcionará. Ou você acredita no conto de fadas em que a força policial encerra com a vontade de terceiros usarem determinadas substâncias? Ou então na fábula sobre a extinção de certas plantas da face da terra? Se, sim, passou da hora de você acordar.

O problema relacionado ao abuso de drogas deve ser prioridade – tão somente – da área da saúde, e não ser relegada a decisões injustificadas de grupos restritos ao obscurantismo, ou mesmo de legendas políticas sem compromisso algum com um Estado plural e laico. Ainda. Jamais deve ser caso de polícia.

Se seguirmos maravilhados com as seguidas apreensões por parte da polícia, a liberdade individual seguirá ameaçada pela mentalidade dos defensores da guerra às drogas. Esses, muitas vezes, são justamente aqueles que mais lucram com a criminalização. Ou esqueceram daquele helicóptero recheado de cocaína, em Minas Gerais, que pertencia à família de um senador?

A política antidrogas serve só para atenuar o graúdo problema criado pela própria política antidrogas: o enriquecimento ilícito de criminosos. Pois, se há alguma obviedade nessa insolente guerra, é o fato de uma apreensão de dez quilos de drogas ou uma de dez toneladas não diminuírem em nada o acesso do usuário às drogas. São inúteis naquilo que se anunciam: a inibição ao uso.

Criou-se um círculo vicioso. Tipo o desenho do Tom e Jerry, lembram? Uma eterna briga entre policiais e donos de “bocas”, onde nunca aparece quem de fato enriquece. Aliás. Quanto mais se aperta o cerco, mais o megatraficante ganha. Por quê? É simples: O lucro deve prevalecer ao risco. E a demanda sempre existiu e sempre existirá.

Lembram do EUA ao tentar proibir o álcool no século passado? Voltou atrás, claro. Pois a demanda persistiu, o enriquecimento ilícito tomou proporções inimagináveis – leia-se Al Capone –, e restou ao governo decidir quem ficaria com o lucro: pessoas do bem x pessoas do mal.

Já na questão das drogas, as “pessoas do bem” seguem decidindo pelo lucro das “pessoas do mal”. Mesmo diante do sangue dos usuários, ou da luta diária de quem confia nos poderes medicinais da maconha, mas vê suas esperanças frustradas pela criminalização.

É triste, mas é a nossa realidade.


Uso da máquina pública em campanhas é crime

Estamos chegando mais próximos ao pleito de outubro. Diante disso, é preciso mais atenção por parte de pré-candidatos e suas publicidades individuais pagas em redes socais, como no Facebook, por exemplo. Alguns Tribunais Regionais Eleitorais (TRE), como o de Pernambuco, já alertam para danos ao “princípio da isonomia”.

Além disso, é sempre bom atentar para o correto uso dos computadores pertencentes às prefeituras e às câmaras municipais. Usá-los em prol de candidatos é crime, é imoral e, obviamente, é desleal. Repito: utilizar máquina pública, por menor que seja, em benefício próprio de campanha, é violar gravemente a democracia.


Tiro Curto

•Nos bastidores, causa alvoroço o áudio de uma conversa entre professores e alunos da Escola Estadual Érico Veríssimo. Ouve-se um adolescente afirmando ter ganho dinheiro da vereadora de Lajeado, Eloede Conzatti (PT), para auxílio na ocupação daquela escola. O caso foi denunciado ao MP. Nada contra os alunos. Mas, em ano eleitoral, a parlamentar poderia ser mais cuidadosa;

•Ito Lanius (PSDB) anunciou, ontem, que não será candidato a prefeito e tampouco a vice de Lajeado. A decisão é pessoal. Mesmo assim, o partido estará coligado com PP, DEM – que pode anunciar Leodir Degasperi como vice de Marcelo Caumo (PP) – e o PSD;

•O deputado federal Sérgio Moraes (PTB) votará pela absolvição de Eduardo Cunha (PMDB) no Conselho de Ética da Câmara. Segundo o parlamentar de Santa Cruz do Sul, seus eleitores nunca exigiram o voto pela cassação. Em Lajeado, ele fez 364 votos em 2014;

•Na câmara de Encantado, vereadores questionam contrato com a terceirizada Arki, responsável por ceder mão de obra diversa. O acordo aumentou de R$ 120 mil para R$ 320 mil. Em Lajeado, a empresa recebe R$ 820 mil mensais;

•Em seu perfil no Twitter, Gilbero Keller (PMDB) segue como “prefeito de Colinas”. Ele foi cassado por corrupção em 2013;

•Volta à tona um debate sobre a fusão da Caixa Econômica Federal com o Banco do Brasil. A CEF ficaria responsável só pelos financiamentos de imóveis;

•Na Escola Municipal João Beda Körbes, em Arroio do Meio, a reclamação é pela ausência de monitores para atendimento de alunos com necessidades especiais;

•Notícia de um atacadão em Estrela é bastante comemorada. Justo. Mas, à imprensa, cabe cautela. Mostrar o pré-candidato e atual prefeito anunciando quase 800 empregos em véspera de eleição é arriscado. E não vi ninguém questionar os tais 500 “empregos indiretos”. Enfim. Torço para se confirmarem. Boa quinta a todos!

“Uma das causas mais comuns de todas as doenças é o diagnóstico.” – Karl Kraus

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