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Jornal A Hora

Opinião

Ney Arruda Filho Ney Arruda FilhoAdvogado

Coluna com foco na essência humana, tratando de temas desafiadores, aliada à visão jurídica

Coluna publicada às sextas-feiras
Publicada em 03/05/2019

A quem serve a universidade

Fui professor universitário por muitos anos. Tive o privilégio de compor o corpo docente da Univates e de conviver diariamente naquele ambiente de riqueza e debate aberto de ideias. Eu estava lá quando se tornou centro universitário, quando houve o grande impulso de crescimento. Também participei de momentos difíceis, de discussões importantes sobre a sustentabilidade financeira dos cursos, em especial das áreas humanas, da necessidade de investimento nos cursos de tecnologia, da área da saúde, os markups, os pontos de equilíbrio e outras questões que me eram difíceis de compreender. Ouvi depoimentos importantes de colegas e que mudaram a minha maneira de ver o mundo, que me fizeram refletir sobre as atribuições de uma instituição universitária e sobre os seus propósitos.

 

Nos últimos dias me deparei com notícias e opiniões acerca do que a universidade deve ou não deve ensinar. A surpresa veio de manifestações públicas de pessoas esclarecidas, afirmando que, sim, alguns cursos não servem para nada além de aparelhamento ideológico. Como sempre faço, antes de lançar qualquer opinião, fui ao princípio, busquei a premissa, o ponto de partida. Universidade, conceitualmente, é uma instituição de ensino e de pesquisa constituída por um conjunto de faculdades e escolas destinadas a promover a formação profissional e científica de nível superior. Mais do que formar profissionais e cientistas, a universidade se propõe a realizar pesquisa teórica e prática nas principais áreas do saber humanístico, tecnológico e artístico. Por fim, é obrigação da universidade divulgar seus resultados à comunidade científica e para as demais comunidades nas quais está inserida, da forma mais ampla possível.

 

Na nossa região, a universidade tem cumprido a sua missão: assume os mais variados e relevantes papéis, é atuante em muitas frentes. E ali há espaço para a diversidade. Na área da saúde pública, por exemplo, a Univates assumiu a gestão da UPA – Unidade de Pronto Atendimento. Nas áreas tecnológicas e de empreendedorismo, investe na incubação de empresas e nas parcerias de pesquisa com organizações privadas. Na semana passada tivemos um exemplo bem claro da atuação na área das ciências humanas, com o Simpósio Internacional Diálogos na Contemporaneidade.

 

O evento, que abordou a temática “Tempo, Movimentos, Mudanças e Permanências”, promoveu palestras, debates, exposições e mostras expondo as questões sob os mais diferentes prismas. Isso só pra lembrar algumas iniciativas, pois são tantas que não caberia neste artigo. Não gostei de tudo o que vi e ouvi, confesso. Algumas abordagens contrariam meu modo de pensar, bem, e foram expostas com clareza e com argumentos que me levaram a refletir a respeito. Posso até discordar, mas se existe um ambiente que deve incentivar o debate aberto e proporcionar o confronto entre as mais diferentes maneiras de perceber a vida e o mundo, este lugar é a universidade.

 

A universidade serve a todos, indistintamente, e assim deve continuar.

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