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Opinião

Marcos Nesello Marcos NeselloEmpresário e arquiteto

Publicada em 06/03/2019

Casa da cascata

Um pensador e filósofo chinês um dia escreveu: “Escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia em sua vida”. Quando muito pequeno, gostava de folhear livros, ainda não conseguia entender aquele amontoado de letras, mas as imagens me fascinavam. Um dia me deparei com uma foto que nunca mais me esqueci. Era de uma casa que me deixou encantado. Naquele momento, tomei uma decisão que se fortaleceu com o passar do tempo e se materializou anos depois: ser arquiteto.

 

Morava em Pernambuco e o curso de arquitetura só existia na Universidade Federal (UFPE). Era um curso bastante concorrido. Só havia o vestibular de verão e, não conseguindo, só no ano seguinte. Não esmoreci. Faltando três anos, mudei de colégio. Saí de Olinda e fui estudar em Recife. Precisava estar melhor preparado e de fato aconteceu. Comemorei muito com a perspectiva de um novo mundo que se abria para mim naquele momento. Valeu todo o esforço. Era um curso muito especial, além de experientes professores, um deles me marcou profundamente: o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna. Era professor de Estética, uma das primeiras cadeiras do curso. Contava estórias fantásticas através de sua maneira peculiar de ensinar.

 

Neste contexto nos mostrava a importância de não esquecermos nossa origem cultural, nossa história, nossa identidade e sempre que possível traduzi-la em nossa produção arquitetônica. Depois de um breve período após minha formação profissional, me mudei em definitivo para Lajeado, destino das minhas férias de verão desde criança. Era início da década de 1990 e meus projetos edificados começavam a contribuir no enriquecimento do espaço urbano de Lajeado.

 

Hoje a cidade possui um grupo muito maior de arquitetos, curso de graduação em nossa universidade, mostras de arquitetura, cadernos sobre o tema em nossos jornais valorizando a produção local. E isto é ótimo! Lajeado consome cada vez mais arquitetura. Ganha em qualidade nos mais diferentes tipos de edificações. As pessoas perceberam quanto o trabalho do arquiteto valoriza sua obra, que pode ser desde uma pequena reforma, até uma concebida desde o início. Estudando o melhor aproveitamento do terreno em relação às suas divisas e a rua e como ela vai dialogar com este entorno. Este cuidado com o todo vai criando uma cidade mais harmônica e amigável.

 

Este ano, arquitetura e urbanismo é um dos grandes temas a ser debatido: o novo plano diretor para Lajeado. O diálogo vai ser importante focando sempre o melhor para cidade, sua vocação e a força de trabalho de sua comunidade.

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