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Opinião

Ney Arruda Filho Ney Arruda FilhoAdvogado

Coluna com foco na essência humana, tratando de temas desafiadores, aliada à visão jurídica

Coluna publicada às sextas-feiras
Publicada em 22/03/2019

O que você faria …

A transgressão nasceu junto com a espécie humana. Desde sempre convivemos com a irresistível necessidade de rompermos limites, desafiarmos regras e contestarmos autoridades. E tem sempre um gênio para propor uma maneira de burlar o que foi determinado por aqueles que detêm o poder. Já fora assim com Eva e Adão, o tal pecado original, para depois consolidarmos na cultura cristã os mandamentos “da lei de Deus” e tudo o que mais se capitulou como regra moral. Com a formação dos estados, nações e países, houve o aprimoramento da regra moral. Pelo interesse e pela necessidade de regulação da vida em sociedade, surgiram leis, tratados e outros textos normativos definindo basicamente o que é certo e o que é errado.

 

Bem, todo esse introito xarope se presta pra gente não perder de vista que errar é humano. Também não podemos esquecer que nossos erros geram consequências internas e externas. Num primeiro momento, tendo a consciência de que fizemos algo errado, podemos experimentar o famoso sentimento de culpa, aquela voz silenciosa que nos acusa, dorzinha interna que nos aperta o estômago e nos induz ao lugar do outro. Para além de nós mesmos, os desvios podem afetar a vida de outras pessoas, por vezes irremediavelmente.

 

Dentre as fases de desenvolvimento e construção do caráter humano, a adolescência reflete com maior intensidade o já natural ímpeto transgressor. Este é sem dúvida o momento das maiores descobertas, da necessidade de novas e desafiantes experiências, dos primeiros amores. É também o momento limítrofe da tomada de consciência das consequências dos atos.

 

Fase de autoafirmação na qual tudo é muito confuso e por vezes contraditório, pois para algumas coisas, os pais, a escola e a sociedade cobram sensatez e coerência, enquanto que para outras cobram subserviência. Qual de nós, adultos de hoje, não teve suas descobertas no escuro de um quarto, no porão da casa de um amigo, protegido pelo anonimato e pela intimidade?

 

Ah, a intimidade! Aquela noção antiga, tipo barraca “transa dois”, que pelo sentimento ou pelo vínculo de confiança nos conferia a segurança necessária para que nossas pequenas transgressões permanecessem pequenas, com consequências restritas ao íntimo, ao eventual sentimento de culpa por termos “pecado” contra alguma lei feita pelos velhos pra tornar a vida mais chata e menos emocionante.

 

Vivemos outros tempos. Em tempos de hiperconectividade, parece que a intimidade virou wireless. Não basta mais ter a experiência no escuro de um quarto, no porão da casa de um amigo, na proteção do anonimato. É necessário ser visto, fazer às claras, preferencialmente na frente da galera. Mais ainda, é preciso filmar tudo, narrar, postar e compartilhar e compartilhar e compartilhar. Assim mesmo, uma vez depois da outra, senão não tem graça. Este e outros sinais dos novos tempos demonstram que o jeito de resolver as coisas, o nosso velho jeito de resolver as coisas, provavelmente não vai funcionar. É necessário que se construa um jeito de resolver esses novos enroscos que só passaram a acontecer recentemente, com toda a parafernália tecnológica que está à nossa disposição. E principalmente à disposição dos adolescentes.

 

O que salta aos olhos no mais das vezes são as transgressões dos adultos, que se sucedem à transgressão adolescente. Parece que os “pecados” dos “pequenos” não são suficientes. Aqueles que por eles deveriam zelar replicam, narram, comentam, postam e compartilham e compartilham e compartilham indiscriminadamente. Lamentavelmente …
Voltando à ideia de transgressão, lembrei de uma passagem bíblica: “Quem dentre vós não tiver pecado, que atire a primeira pedra” (João 8:1-11).

 

Não, a transgressão não pode ser aceita como regra, como conduta padrão, como prática diuturna. A transgressão deve, sim, ser olhada, contextualizada, apurada e quiçá punida. E se fosse com você? O que você faria?

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