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Jornal A Hora

Artigo

Ardêmio Heineck Ardêmio HeineckEmpresário e consultor

Publicada em 14/09/2019

Ser brasileiro e gaúcho

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Desde que o A Hora me distinguiu em ocupar este espaço, tem sido prazeroso desenvolver os temas abordados. Todavia, desta vez, mesmo que o assunto esteja claro pra mim há dias, foi difícil encontrar a forma de expor com clareza o sentimento – misto de agonia e saudosismo – que me provoca. Mas, vamos lá: trata-se do orgulho de ser brasileiro e de ser gaúcho. Parece-me algo que foi muito ideologizado e politizado, despido da emoção inerente de pertencer a este solo e ter nele nascido.
Os povos guerrearam e morreram para consolidar as fronteiras físicas dos seus países e se agrupar de acordo com sua cultura e origens. No Brasil, não foi diferente, especialmente no nosso estado, fronteira mais meridional do país, responsável, portanto, pelo recuo dos espanhóis e pela expansão dos nossos marcos demarcatórios ao Sul e a Sudoeste.
Ao entrar agosto, passando por educandários ouvi bandas marciais ensaiando. Mesmo não vendo os alunos marchando pelas ruas, preparando-se para o grande desfile da Semana da Pátria, o fato me despertou boas lembranças. Freud comprovou que determinados estímulos provocam em nós atitudes, posicionamentos e lembranças, “boas ou más” de acordo com nossa personalidade que se formou desde pequenos.

Aquele rufar dos tambores mexeu com o amor nacionalista e me levou de volta a 1957 quando, já no primeiro ano primário (hoje Ensino Fundamental), ensaiávamos com o resto do Colégio Alberto Torres para nossa participação no “Desfile de Sete de Setembro”. Somados aos alunos do Colégio São José (hoje “Castelinho”), do Madre Bárbara e de outros educandários, a rua Júlio de Castilhos recebia dezenas de milhares de espectadores para verem desfilar os futuros cidadãos que sentiam prazer e orgulho em homenagear o país. Aliás, o São José tinha uma banda marcial de fazer inveja às melhores e maiores do estado, convidada para “puxar” os desfiles em diversos outros municípios da região. Uma festa estudantil que acontecia pelo estado e pelo país.

Participei destes desfiles até concluir o Ensino Médio em 1968, passando por diversos governos (de Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart, Castelo Branco, Médici, Costa e Silva), de diferentes partidos políticos e ideologias. Mas não me recordo de a homenagem à nossa Independência ser imputada ao governo no poder como agora. Dá a impressão de que, com o passar do tempo, o sentimento nacionalista esmoreceu e nossos escudos nacionais são desmerecidos, juntamente com os valores familiares e cidadãos.

Até os anos oitenta, andar pilchado em público era motivo de chacota. A partir de festivais de música gauchesca raiz, no Teatro da Ospa, em Porto Alegre, que terminavam num grande coral formado por público e cantores que haviam se apresentado, renasce o orgulho em ser daqui, em ser “gaudério”.

Nossa economia oscila há décadas e nosso desemprego também. Temos tudo para sermos uma potência econômica mundial, com todo o bem-estar social decorrente. A caminhada é longa, mas já estamos bem mais próximos do que antes. Isto é fruto do somatório do trabalho de diversos governos.

Os que estão no poder agora por certo querem acertar e acrescentar algo nesta bela construção de um Brasil e de um Rio Grande fortes economicamente e justos socialmente. Não torça contra se você for oposição e não coloque antolhos caso seja situação política. Acima de tudo, seja brasileiro e seja gaúcho, sem ter vergonha em emocionar-se até as lágrimas, sempre que esta condição tenha que ser refirmada. Olhe para os milhões que estão ao se redor dispostos a ombrear, com você, a construção continuada das Pátrias, estadual e nacional. Junte-se a eles e desfralde nossas bandeiras nas janelas.

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