Arroio do Meio - DEPÓSITO IRREGULAR

Pneus colocam em risco moradores

Há quase uma década, moradores buscam soluções para descarte de pneus na Barra do Forqueta

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Pneus colocam em risco moradores
Arroio do meio

A tarde cai e Juliano Smaniotto senta na varanda de casa para tomar um mate. A mão esquerda segura a cuia, a direita espanta os mosquitos e coça as pernas. Há quase dez anos, moradores da Barra do Forqueta reclamam da infestação de insetos na comunidade. Eles afirmam que o problema decorre de um depósito de pneus, localizado em frente à casa de Smaniotto.

“Tem hora que não dá para ficar aqui fora. Isso é horrível de tanto mosquito que tem, não dá para aguentar”, diz.

São incontáveis pneus velhos, talvez algumas dezenas de milhares, formando montanhas de mais de cinco metros de altura. De acordo com os relatos, no local funcionava uma fábrica de arruelas de borracha, usadas para pregar telhados. O material servia como matéria-prima.

A fábrica não existe mais. Os proprietários se mudaram. Os pneus permanecem. É difícil precisar quando as cargas começaram a ser despejadas ali. Mais de cinco anos, afirmam alguns. Uma moradora que vive no local faz 13 anos afirma lembrar dos montes de pneus desde sua chegada.

Juliano Smaniotto mora em frente aos montes de pneus e sofre com os insetos. Pai de duas filhas, teme a existência de animais peçonhentos

Juliano Smaniotto mora em frente aos montes de pneus e sofre com os insetos. Pai de duas filhas, teme a existência de animais peçonhentos

Smaniotto mora no local com a mulher e duas filhas, de 11 e 14 anos. Ele teme que possa haver outros animais escondidos, como cobras e ratos, oferecendo risco às crianças.

Prejuízo à saúde e à natureza

O problema atravessa gestões do Executivo. No fim da administração anterior, uma parte dos descartes foi recolhida. Além do risco à saúde, há o problema ambiental. De acordo com o Inmetro, o tempo que um pneu leva para se decompor é indeterminável.

Os moradores procuraram o governo mais de uma vez. O último contato foi cerca de duas semanas atrás, mas ainda não houve retorno. Os materiais acumulam água, gerando preocupação acerca da transmissão de doenças, como a dengue.

Pneus foram abandonados junto ao córrego que passa pela localidade

Pneus foram abandonados junto ao córrego que passa pela localidade

Herton Harte

Herton Harte mora no local faz dois anos. O depósito faz fronteira com o milharal. Ele afirma que fiscais do município monitoram o risco da presença de mosquitos aedes aegypti.

“A prefeitura está fazendo acompanhamento todos os meses. Mas a gente faz aquela pergunta: quando vão dar um destino a esses pneus?”

A administração municipal informa que o terreno é particular e que o proprietário é o responsável pelo passivo. O caso já foi encaminhado ao Ministério Público.

Matheus Chaparini: matheus@jornalahora.inf.br

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