Xadrez

Muito além da competição

Alunos sentem na prática desenvolvimento do raciocínio lógico e concentração com o “jogo dos reis”

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Muito além da competição

A desatenção era um dos pontos fracos de Romeu Lagemann Heuert, 13. Na escola era conhecido por se dispersar com facilidade. Tudo mudou quando o estudante de Estrela começou a jogar xadrez. “Ganhei um tabuleiro quando tinha seis anos. Quando soube que havia aulas na escola (Santo Antônio) comecei a participar”, conta.
Nos cinco anos de oficinas, se tornou mais concentrado. O xadrez também ajudou no raciocínio lógico para as contas de matemática, conta. “Fazia os cálculos de subtração errado por que invertia a unidade, dezena e centena. Depois de jogar xadrez, comecei a fazer de forma lógica as contas”, exemplifica.
Com as habilidades adquiridas no xadrez, Heuert aumentou as notas em mais de três pontos. No boletim de 2018 ficou com média 9.5. “Antes não prestava muito atenção no que fazia. Agora fico atento nas aulas e já consigo boas notas”, comenta.
Ontem, 20, o estudante do Colégio Martin Luther estava entre os mais de 300 participantes do 11º Torneio Estudantil de Xadrez. A atividade ocorreu em Estrela, reunindo 21 escolas de sete municípios gaúchos.
Com cinco vitórias e uma derrota, Heuert ficou com o segundo lugar na categoria mirim (etapa municipal). Para o jovem, melhor que a medalha é os benefícios que o esporte traz na vida.

Mais de 300 jovens participaram ontem do 11º Torneio Estudantil de Xadrez, no Colégio Santo Antônio

Mais de 300 jovens participaram ontem do 11º Torneio Estudantil de Xadrez, no Colégio Santo Antônio

Xadrez aos hiperativos

Conhecido como “Jam Brasil”, João Mallmann, 58, é um dos entusiastas do xadrez em Estrela. Com problemas na coluna desde a infância e impossibilitado de praticar outros esportes, viu no jogo a possibilidade de exercitar a mente, passar o tempo e fazer amizades.
A paixão pelo xadrez era tanta que Jam organizou a primeira competição de xadrez com 14 anos. Nas últimas duas décadas, ensina o esporte em escolas de Estrela, Lajeado e Fazenda Vilanova. “Mais de 800 alunos já passaram por mim. Em todas as competições de Estrela, tive campeões”, conta com orgulho.
Diferente do imaginário popular, Jam destaca que o xadrez é um esporte ideal para jovens hiperativos por exercitar a paciência e concentração. “A mente é hiperativa. O corpo só responde ao estímulo. O xadrez faz o hiperativo acalmar a mente, por isso os melhores alunos que tive eram muito agitados”, cita.

A mãe coruja

Marta Mattei, 43, era uma das mães presentes no torneio. O filho Felipe Lenhard, 9, pratica o esporte faz um ano e conseguiu quatro vitórias na primeira competição. “Pra mim é motivo de orgulho, pois percebo que ele se dedica bastante”, comenta.
Além da concentração e raciocínio lógico, Marta acredita que o esporte ensina o filho sobre perseverança. “Sempre falo para ele seguir em frente e não desistir mesmo se tenha as dificuldades”, conta.

Entre os campeões

Estudante da Escola Vila Schmidt, de Westfália, Guilherme Klein, 14, foi campeão na categoria Infantil. Foram cinco vitórias e um empate nas seis rodadas.
Esta foi a terceira vez que o jovem participou do torneio. Nas outras oportunidades ficou no 8° lugar e noutra nem chegou a se classificar entre os 10 primeiros. A melhora, segundo o estudante, foi possível graças ao foco. “Fazia jogadas bobas e perdia.
Agora consigo me concentrar mais”, comenta.
Os campeões nas demais categorias foram Andrei Ferreira, de Nova Bréscia (Juvenil) e Fernanda Hoffmann, de Santa Clara do Sul (Mirim).
 


 

FÁBIO KUHN – fabiokuhn@jornalahora.inf.br

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