Edição 08/04/2020 Edição impressa

Terça-Feira08 de Abril, 2020

Proibido animais

Regra em parque público gera controvérsia em Estrela

Tutores de cães querem mudança na lei para permitir entrada dos animais no Parque Princesa do Vale. Moradores levaram assunto para vereadores. Ernani de Castro (MDB) propõe uma discussão com a comunidade sobre o assunto. Visitantes do local frisam que qualquer iniciativa nesse sentido deveria ser estabelecida com regras sobre porte dos cães, uso de guias e recolhimento de fezes

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Regra em parque público gera controvérsia em Estrela
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Visitantes barrados na entrada de um local público. O motivo: estão com os animais de estimação. “É um constrangimento. Mas tenho que ir lá cobrar. Eu gosto de bichos, tenho cinco cachorros em casa. Mas aqui não pode”, conta um dos vigias do Parque Princesa do Vale, Alair Lopes da Silva.
 
Por vezes, a atuação do funcionário provoca reclamações. A maior parte das pessoas leva cães de pequeno porte e nos fins de semana. Essa proibição abre uma discussão na cidade. Há pessoas que querem uma revisão na lei.
 
A norma está amparada no Código de Posturas e foi regulamentada em 2013. Mesmo antes disso, o acesso dos bichos também não era permitido. Descontentes com a regra procuraram o vereador Ernani de Castro.
 
Na avaliação dele, antes de qualquer decisão, é preciso um amplo debate. “É algo incipiente. Estou conversando com as pessoas. Penso que precisamos discutir isso, estabelecer um modelo para o nosso município”, diz.
 
Neste momento, o parlamentar não pensa em criar um projeto de lei para mudar o que está posto. “Tem pessoas que gostam dos bichinhos. Querem levar os cachorrinhos para passear. Outros não querem dividir suas atividades com algum animal. Qualquer mudança precisa ser muito bem pensada”, frisa.
 
Por parte do Executivo, o secretário de Esportes e Lazer, Júlio Saldanha, realça que o acesso não é permitido por uma questão de saúde pública. “O parque é frequentado por muitas pessoas, sejam adultos ou crianças, para a prática de esportes e atividades de lazer.”
 
No espaço, há quadras esportivas de areia, parques infantis, pista de caminhada, para futebol de campo. “Tendo em vista a dificuldade de controle dos animais, poderia haver a contaminação da areia. Isso pode causar doenças nos frequentadores”, relata Saldanha.
 
O secretário reconhece que é uma medida que pode não ser simpática para uma parcela da população. Mas frisa que é necessária sob o ponto de vista de prevenção à saúde das pessoas. O governo também informa que, em relação à lei, não há punições previstas em caso de descumprimento.
 

Norma incomum

A Hora contatou municípios da região e de outras localidades do RS para verificar como são as leis quando a presença de animais em áreas públicas. Foram: Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha, Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul e Lajeado.
Apenas em Farroupilha existe o impeditivo. No Parque dos Pinheiros e na Praça da Matriz. Conforme o governo foi uma reivindicação da própria população. No Pinheiros, há um lago, pista de caminhada e canchas esportivas. Ali também fica uma piscina pública.
 
Nas demais cidades não há restrições quanto ao passeio de tutores com os animais. Em Lajeado, em um espaço público, no Jardim Botânico, não é permitida a entrada com animais, pois se trata de uma área de preservação ambiental.
Pelo Parque Professor Theobaldo Dick, os visitantes se dividem entre praticantes do esporte, famílias com crianças no playground, e tutores com os cães. Na tarde de ontem, Marina Faria estava com a mãe, Sirlei, e com a cachorrinha Sol.
 
Adotada após sofrer maus tratos, ela é o xodó da casa. Para ela, impedir a entrada de animais em áreas públicas é um equívoco.
Opinião semelhante a de Maurício Pugliesi. O piloto de avião natural de Salvador, capital da Bahia, adotou Bali da Apama, ONG do bairro Conventos. Consciente de sua responsabilidade como tutor, carrega sempre sacos plásticos para juntar as fezes da cachorrinha. “Moramos em apartamento. Não temos espaço para ela. Como o parque aqui é grande, bonito, sempre trazemos ela para passear”, conta.
 

“Foi ela que me adotou”

Ir a algum lugar sem a cachorrinha Nina Hagen é impensável. “Se você me convida para ir na sua casa e não posso levar ela, você não serve para ser meu amigo”, afirma Narciso Donna. Morador de Lajeado, ele passeava com ela na tarde de ontem no parque Professor Theobaldo Dick.
 
“Se em Lajeado fosse proibido levar animais a parques e praças, eu mudaria de cidade. Não consigo ficar longe dela”. Narciso relembra o dia em que Nina surgiu na vida dele. “Foi ela que me adotou. Eu estava em casa, tomando chimarrão. O portão estava aberto. Ela entrou e pulou no meu colo. Nunca mais saiu.”
 
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FILIPE FALEIRO – filipe@jornalahora.inf.br

Colaboração: MATHEUS CHAPARINI – matheus@jornalahora.inf.br

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