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Esportes de mulher

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“Jogar rugby sem perder a feminilidade”, essa foi a frase mais lida por mim ao pesquisar reportagens e artigos científicos sobre a modalidade feminina do esporte. Fiquei intrigada. Afinal, que medo é esse em enxergar indivíduos diferentes de si?
Desde a popularização da célebre frase da Simone de Beauvoir “não se nasce mulher, torna-se mulher”, pouco a pouco as pessoas vêm aprendendo que esses papéis não são nada mais do que uma construção social. E se a gente pode construir, por que prender-se a um padrão que só representa meia dúzia?
A feminilidade é em si uma definição pra lá de mutável e interessante. Em cada país ou nicho cultural, certos aspectos são mais ou menos “aprovados” pela sociedade. Praticar um esporte que por décadas foi considerado bruto e, por isso, masculino, não torna nenhuma mulher menos mulher!
Sabe-se que há nem tantos anos assim (no Brasil, no período da Ditadura Militar) o sexo feminino era proibido por lei de praticar esportes de contato como o futebol, o rubgy e o jiu-jitsu. Por conta disso, criou-se uma cultura machista de que determinadas modalidades eram incompatíveis com o sexo (nada) frágil.
No fim das contas sempre existem aquelas mulheres que resistem. Elas lutam, buscam se empoderar e reconstruir os conceitos ao longo de suas existências. As mulheres do Centauros Rugby Clube me deram mais uma lição ao longo da produção da reportagem: se não existe um lugar para você, crie um! Com ou sem apoio social, encontraram umas nas outras o estímulo para inovar e explorar o novo. Sororidade é que chama.
Por falar em sororidade, ver essa mulherada treinando junto dos homens fez brotar em mim orgulho e sensação de pertencimento incríveis, mesmo que eu não faça parte do time. Infelizmente o mundo não é igual, mas felizmente temos mulheres inspiradoras para puxar a frente desse novo amanhã que, longe de estereótipos, está sendo criado. Desejo muito sucesso a essas rainhas do rugby e um ótimo final de semana a você, querida leitora ou leitor.

bravo