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Associações buscam reaver valores investidos em criptomoedas

Milhares de clientes da Indeal e da Unick foram lesados e buscam ressarcimento. Em Brasília, grupo de parlamentares tenta regulamentar o mercado

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Associações buscam reaver valores investidos em criptomoedas
Pensar O Vale

Teve gente que perdeu tudo de um dia para o outro. Pessoas que venderam todos os seus bens para investir”. O relato de Carolina Oliveira, presidente da Associação dos Clientes da Indeal (Assic), sintetiza o sentimento de milhares de clientes que fizeram investimentos expressivos no mercado das criptomoedas e agora buscam reaver estes valores.

A Assic surgiu em julho do ano passado, dois meses após a Operação Egypto, que resultou na prisão dos sócios
da Indeal – já soltos – e no bloqueio de bens da empresa, investigada por fraude financeira. Já conta com 10 mil associados.

Inicialmente criamos um grupo no Telegram e tínhamos em torno de 200 pessoas. Alguns clientes solicitaram para que eu pudesse representá- los perante qualquer ação que viesse a acontecer. Então a associação nasceu ali e foi ganhando força”, explica Carolina.

Boa parte dos associados, conforme Carolina, é da região Sul, e a entidade possui base em Caxias do Sul. “Temos associados no Brasil inteiro. Mas o foco maior é aqui na Serra Gaúcha. Há também integrantes do Vale do Taquari na nossa diretoria. É um grupo grande”, comenta. Somado, o prejuízo estimado de todos os associados é de R$ 500 milhões.

A maior preocupação da entidade é quanto à demora na devolução dos valores. Conforme Carolina, o processo pode levar até 10 anos. “Só que as pessoas não tem esse tempo”, resume. Uma assembleia será realizada em fevereiro, em
Caxias do Sul, com o intuito de fortalecer a associação e buscar novas alternativas.


Famílias dizimadas”

Um mês após a Unick Forex ser alvo de operação da Polícia Federal, clientes lesados pela empresa decidiram criar uma associação. São cerca de 200 integrantes, que buscam reaver R$ 10 milhões.

Monir Ferranti, um dos advogados da associação, diz que o grupo está criando uma estratégia jurídica diferente das tradicionais para que, efetivamente, se consiga reaver os valores. “Somos três escritórios de advocacia trabalhando em conjunto. Não posso adiantar qual é essa estratégia, pois ainda estamos preparando a ação”, antecipa.

A relação dos clientes com a Unick era informal e defasada de documentos, o que dificulta o ingresso de mais pessoas na entidade. “Criou-se uma arquitetura para as pessoas fazerem os aportes e as que ingressavam na pirâmide ficavam sem comprovante da transação”, comenta Ferranti.

Ferranti lembra que muitos clientes praticamente venderam todo o patrimônio para investir e vivem momentos de angústia. “Conheço casais que se separaram, famílias que foram dizimadas. É cada história triste que chega no meu escritório. Pessoas com uma vida inteira de economia colocaram tudo na pirâmide e agora aguardam na Justiça para recuperar o que foi perdido”, diz.


Regulamentação

Enquanto associações buscam reaver valores investidos por clientes, em Brasília avança a discussão para a regulamentação das moedas virtuais. Uma comissão foi criada pela Câmara dos Deputados para tratar o assunto.

Integrante da comissão, o deputado federal Lucas Redecker (PSDB) explica que a ideia é proteger as pessoas para que casos como os da Unick e da InDeal não se repitam. No fim do ano passado, ele apresentou requerimento pedindo uma audiência pública no RS para discutir o caso. O documento deve ser apreciado após o recesso.


MATEUS SOUZA – mateus@jornalahora.inf.br

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