Estado

“O movimento não é só churrasco e fandango”

Após disputa judicial, Gilda Galeazzi assume como primeira presidente do MTG

Por

“O movimento não é só churrasco e fandango”
Pensar O Vale

“Estamos quebrando um paradigma. Após 53 anos de movimento tradicionalista e 20 gestões ocupadas por homens, me orgulho em ser a primeira mulher a assumir a presidência e abrir este caminho”, resume a tradicionalista Gilda Galeazzi, 65.

Amparada por liminar concedida pela Justiça, tornou-se oficialmente a primeira mulher a presidir o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). A solenidade de posse ocorreu quarta-feira de noite, no CTG Tiarayú, em Porto Alegre.

Com uma experiência de 18 anos de liderança da 7ª Região Tradicionalista e com formação em administração de empresas, pretende reestruturar a entidade. “O movimento não é só churrasco e fandango. Vai além do lazer. Queremos oportunizar a congregação da família, seja no espaço físico da entidade ou em um parque de rodeios”, adianta.

Com 1,7 mil entidades filiadas, fará uma gestão mais próxima dos associados, descentralizada e focada no diálogo e na união. “Vamos reorganizar a legislação eleitoral para evitar o que ocorreu agora. Focar na parte cultural e dar assistência direta para fortalecer o nosso movimento”, afirma.

Para colocar isso em prática, a partir de sábado, a sede do MTG passará a funcionar no Rodeio Internacional de Vacaria, onde será montado o “Galpão da Hospitalidade”, para recepcionar os tradicionalistas.

Enalteceu a criação da Frente Parlamentar de Defesa da Cultura Gaúcha, presidida pelo deputado Ronaldo Santini (PTB) e a liberação de R$ 3,2 milhões para o desenvolvimento de projetos sociais.

A presidente

Administradora de empresas, Gilda é natural de Marau e mora em Passo Fundo. Ingressou no movimento tradicionalista como integrante da Invernada Mirim do CTG Osório Porto aos 13 anos. Em 1996, foi eleita pela primeira vez coordenadora da 7ª Região Tradicionalista (RT). Saiu para ocupar um cargo público e 2011 voltou para a liderança. É casada com o advogado e conselheiro benemérito do MTG, Carlos Medeiros de Mello.

Relembre o caso

Durante a eleição realizada dia 11 de janeiro, em Lajeado, ela e a outra candidata, Elenir Winck, receberam 530 votos cada. Para desempatar, a comissão eleitoral analisou a idade de todos os integrantes das chapas. Com isso, a chapa de Elenir, a qual tinha Wilson Barbosa de Oliveira com 77 anos, foi declarada ganhadora.

No entanto, a chapa de Gilda recorreu por entender que o critério deveria levar em conta a idade da candidata à presidência, e, nesse caso, ela seria a vencedora. A justiça, através de liminar (decisão temporária), acatou o pedido, o qual foi mantido pelo Tribunal de Justiça. O grupo de Elenir ainda buscou a suspensão da posse de Gilda, mas o pedido foi negado.

bravo