opinião

Jonas Ruckert

Jonas Ruckert

Diretor do Colégio Teutônia

Assuntos e temas do cotidiano

Qual o propósito?

Por

Vale do Taquari
Eleições 2020

Na coluna desta edição quero contar em rápidas palavras minha descoberta: tenho a dica para “endireitar” o Brasil. Passei bom tempo de janeiro na Europa acompanhando os estudantes do Conjunto Instrumental do Colégio Teutônia que esteve em sua terceira turnê. França, Alemanha, Holanda, Áustria e Itália foram os países onde estivemos. Ao todo 10 concertos, tours guiados nas principais cidades, visitas a museus, locais históricos, catedrais, monumentos, campo de concentração nazista e tantas coisas mais… uma verdadeira imersão em aspectos culturais, sociais, históricos, geográficos, linguísticos…

A cada novo dia lá meu pensamento desdobrava-se em analogias que se transformaram em reflexões e analogias diárias. O que embalava essa condição era sempre a pergunta: por que dá certo na Europa e não no Brasil? Por que tudo funciona aqui e não no meu país?

Resposta fácil concluí: porque a história do velho continente é milenar. Tiveram tempo suficiente para se organizarem. Sim. Tiveram. Mas, também tiveram guerras, dominação de territórios pelos romanos, gregos, era feudal, napoleônica e outras mais. Viveram tempos difíceis marcados por pestes, infestações crônicas, por períodos de frustração de colheitas e muita fome. Experienciaram o nazismo e duas grandes guerras mundiais!

Nos museus pelos quais passamos (e diga-se: com tanta história não são poucos) uma das cenas mais comuns era ver turmas escolares de pequenas crianças, desde a Educação Infantil, tendo explicações de gente grande. Aprendem história. A sua história! Aprendem sobre fracasso e sucesso, sobre crise e superação. Lhes é ensinado o que deu certo e o que não deu e, possivelmente, seguem uma vida mais assertiva. Não é por acaso que iniciativas exitosas, a exemplo do modelo cooperativista, tenham surgido na Alemanha.

Voltando ao meu primeiro parágrafo, sobre a descoberta, entendi mais uma vez que para tudo precisa existir um propósito que se sustente sobre os pilares da significância, da importância coletiva, da viabilidade econômica, social e ambiental. Isso significa dizer que há planejamento, decisão, foco e execução. Simples assim. Grande descoberta? Possivelmente amadurecimento em nível de consciência.

Infelizmente tive que antecipar meu retorno em três dias. Perdi os passeios na Itália nas cidades de Verona, Milão e não pude ver o Lago Del Garda por uma reunião até então intransferível. Voltei antes. No último trecho da viagem consultei meu WhatsApp e fui notificado de que a reunião havia sido cancelada por mera circunstância de organização: esqueceram de comprar os bilhetes aéreos para virem ao RS. Em Cabo Verde, na Ilha do Sal, há aproximados 6100 km de casa senti o Brasil por inteiro dentro de mim. Cheguei bem! Em nosso país, no entanto, pessoas não chegam pela falta do uso do cinto de segurança, pelo excesso de bebida, pela falta de prudência, pela falta de responsabilidade e responsabilização de pessoas que ocupam cargos ou exercem funções com extrema falta de qualificação. Há falta de clareza, de propósito. Há falta de atitude! Aliás, qual o teu propósito?

bravo