Arte do colecionismo

Brinquedos da infância viram hobby da idade adulta

Fortes apaches, ferroramas e bonecos de todos os tipos atraem atenção, tempo e algum dinheiro de colecionadores. O colecionismo é o único vício do mecânico Mauro e se tornou ocupação para Wilmar

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Brinquedos da infância viram hobby da idade adulta
O mecânico Mauro Conrad tem mais de dois mil brinquedos antigos em sua casa, em Lajeado
Lajeado
Pensar O Vale

Em um dia qualquer de 2009, o mecânico automotivo Mauro Conrad foi à chácara do pai, no distrito de Tamanduá, em Marques de Souza. Enquanto cortava a grama, pisou em algo. Era um índio. Um pequeno boneco de plástico da infância.

O brinquedo despertou seu interesse. Buscou pela casa e encontrou um soldado. O forte apache estava comido por cupins, restava só a parte da frente. Naquele momento, Conrad se entregou ao único vício que mantém hoje: colecionar brinquedos antigos.

“É uma fuga. Cada um tem uma história. Um parou de beber, outro perdeu o avô, herdou um brinquedo e continuou a saga. É tudo uma cicatriz que ficou aberta”, avalia.

Em sua coleção, há desde peças resgatadas no lixo até itens valiosos, como um boneco do Fantasma, que custou R$ 800, com o cavalo. Entre os mais de dois mil brinquedos, se destacam os fortes apaches.

“Quando eu era piá, tinha bronquite e chegava a ficar dois meses no hospital. Meu pai trabalhava na Souza Cruz e trocou as férias dele por um forte apache, para eu ter com o que brincar no hospital”, recorda.

Nos duelos entre soldados e indígenas dos filmes antigos, ele costumava torcer pelos fardados. “Depois que você começa a ver a verdadeira história, percebe que os soldados eram os bandidos.”

 

Brincadeira de gente grande
Em outubro, Conrad participou de um encontro de colecionadores de fortes apaches em São Paulo, que reuniu mais de 150 homens adultos. A maioria está na casa dos 50, como Mauro, que tem 54.

No entanto, ele percebe uma crescente aproximação do pessoal de menos de 30. Para o próximo encontro, marcado para 2021, a expectativa é reunir mais de 400 aficionados.

Boa parte dos brinquedos são negociados pela internet. Em grupos de colecionadores no Facebook, é possível conseguir bons preços e trocas. Muitos brinquedos são garimpados. Entulhos guardados em armários velhos podem conter preciosidades.

Brinquedo de menino?
Os brinquedos considerados “de menino” atraem as mulheres mais do que as bonecas Suzy. “Quando eu exponho, são as mulheres que mais procuram. Elas contam que brincavam escondidas com os brinquedos dos meninos. A nossa época era melhor para os guris. As meninas tinham boneca, panelinha, fogãozinho, só coisas domésticas”, diz.

Wilmar e a Mamãe Noel stripper
Quando foi reformado do exército, Wilmar da Silva Filho, 44 anos, precisava de uma ocupação. Começou a restaurar brinquedos. “Meu hobby é pegar coisas que as pessoas não querem mais ou não funcionam e arrumar. Meu pagamento é o sorriso das crianças”, afirma.

No momento, ele trabalha em um carrinho, um veículo anfíbio antigo, “de antes do tempo do controle remoto”, além de um helicóptero.
Como colecionador, apenas uma categoria lhe interessa: Papai Noel. São mais de 20 unidades. Quando perguntado sobre qual brinquedo mais inusitado que já consertou, não tem dúvida: a mamãe noel que dança e tira a roupa.

Encontrou o brinquedo, sem funcionar, no fundo de uma loja de R$ 1,99, em Porto Alegre mais de dez anos atrás. Restaurou e hoje ela funciona perfeitamente. Inclusive, já figurou em eventos familiares de Natal. “Acaba com a festa”, brinca.

bravo