Editorial

Paradoxo do desemprego

Atualizado quarta-feira,
12 de Fevereiro de 2020 às 10:20

Paradoxo do desemprego
Brasil
Pensar O Vale

Uma legião de desempregados e empresas precisando de profissionais. Se por um lado quase 12 % da população estão sem ocupação formal, conforme dados do IBGE, o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela a enorme dificuldade dos empregadores encontrarem mão de obra qualificada.

De acordo com a pesquisa divulgada ontem, cinco em cada dez indústrias brasileiras alegam não identificar trabalhadores aptos às funções disponíveis. Ou seja, embora as vagas existam, os candidatos não preenchem os quesitos necessários para ocupá-las.

Entre os segmentos industriais mais carentes de mão de obra qualificada, destaca-se a área biocombustíveis, onde 70% das empresas responderam que não encontram profissional à altura da demanda. O setor moveleiro (64%), de vestuário e de produtos de borracha (empatadas em 62%), têxtil e de máquinas de equipamentos (60% cada) aparecem em seguida.

Quanto às funções com maior carência de trabalhadores com qualificação adequada, a maior lacuna está no cargo de operador, que atinge 96% das empresas, seguida por empregados de nível técnico (90%). A escassez ainda afeta áreas de venda e marketing (82%), administrativa (81%), engenharia (77%), gerencial (75%) e pesquisa e desenvolvimento (74%).

A falta de trabalhadores qualificados é um tema estratégica a ser enfrentado por governos, entidades de classe e instituições de ensino. Trata-se de um obstáculo para o aumento da produtividade e da competitividade no país. Diz respeito à necessidade de capacitação urgente de pessoas, bem como de melhoria substancial do nível de qualidade da educação básica.

À medida que a indústria 4.0 se consolida, o problema se agrava. Cada vez mais, as áreas de ciência, tecnologia e engenharias são mais exigidas, e é justamente onde estão as maiores carências. O tema foi um dos assuntos abordados no anuário Tudo – A Revolução dos Negócios e das Pessoas, do Grupo A Hora, publicado em dezembro.

Estabelecer políticas públicas para direcionar melhor as formações às novas oportunidades é vital para o desenvolvimento. Os tempos mudaram, colocam as profissões tradicionais em xeque e exigem um novo modelo mental tanto de empresários como de empregados.

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