Edição 08/04/2020 Edição impressa

Terça-Feira08 de Abril, 2020

opinião

Amanda Cantú

Amanda Cantú

Jornalista

Colunista do caderno Você

Ocupe a sua cidade

Por

Mundo
Eleições 2020

Eu adoro carnaval. Mais do que a maioria das datas festivas do nosso calendário. Por isso, quando chega a época mais colorida e animada do ano (ao menos para mim), já começo a fazer meus planos. Este ano esbarrei com uma iniciativa sensacional de dois coletivos que, apesar de jovens, já têm muito para contar.

O Coletivo Juntas se uniu ao Coletivo Rola Rolê para criar o Juntas no Rolê, um bloco de rua que levará a cultura carnavalesca da Praça da Matriz até o Valão. Muito mais do que alegria e diversão, o bloco tem um objetivo político por trás: a ocupação destes espaços públicos. Nas palavras das organizadoras, o Juntas no Rolê é “uma manifestação cultural, fundamentada no respeito aos gêneros, inclusão social e sustentabilidade”. Tem como ser melhor?

Está mais do que na hora de tomarmos frente diante destes locais, afinal, o espaço urbano são as ruas por onde caminhamos todos os dias, as praças, os parques. Estes espaços não são dos carros ou das edificações. São das pessoas, para as pessoas. E pela falta de apropriação das pessoas, pela falta de reivindicarmos as belezas da nossa cidade, estes espaços ficam desocupados e abrem margem para o abandono e para uma percepção coletiva de marginalidade, a exemplo do Valão, que muito recente ganhou vida por meio das mãos do Rola Rolê, da Praça da Matriz e da Orla do Rio Taquari.

O cuidado com estes espaços é sim dever do poder público, que tem grande responsabilidade na gestão e imagem destes lugares. Porém, mesmo este cumprindo ou não o seu papel de guardião da cidade, também é nosso dever ocupar estes espaços.

Então vamos ocupar o Valão, a Praça da Matriz, a Orla do Taquari. Vamos ao nosso belíssimo Jardim Botânico, ao Parque Histórico e ao Parque Professor Theobaldo Dick, à Pracinha do Papai Noel e a todas as outras praças espalhadas pelos nossos bairros. Vamos viver nossas ruas. Afinal, a cidade é nossa. Então, vamos reivindicá-la!

bravo