opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Vespeiro (in) desejado em Lajeado

Por

Vale do Taquari
Pensar O Vale

Políticas públicas e o Plano Diretor ficam temporariamente de lado na Câmara de Lajeado. Os vereadores de Oposição agendaram uma nova pauta no plenário e na mídia nesse ano eleitoral: as indicações para funções terceirizadas em repartições municipais por parte do Executivo. Porém, trata-se de um verdadeiro telhado de vidro em qualquer esfera do âmbito político. E eu acho que muitos opositores já estão arrependidos do barulho causado.

Acima de tudo, é um tema que merece ser abordado. Desde sempre está enraizado na política nacional o entendimento de quase total liberdade para designar ocupantes de cargos públicos. É o chamado “patrimonialismo”. Ou seja, a ausência de distinção entre patrimônio público e patrimônio privado, onde o primeiro é apenas uma extensão do segundo. É a arte de prevaricar no momento de nomear servidores pagos com o dinheiro do contribuinte.

É o chamado ‘patrimonialismo’. Ou seja, a ausência de distinção entre patrimônio público e patrimônio privado.”

Embora enraizada, a prática é danosa. Muito danosa. E aí vai uma obviedade: não existe liberdade absoluta na administração pública. Nem no Executivo e tampouco no Legislativo – em Lajeado são 44 CCs e só quatro concursados na Câmara. Mesmo diante de algumas brechas na legislação, todo e qualquer agente político que se preste deve manter sua conduta restrita aos princípios administrativos, como a impessoalidade, moralidade, eficiência e razoabilidade.

E é isso que está em discussão na Câmara de Lajeado. Para a Oposição, a gestão do prefeito Marcelo Caumo vem utilizando a empresa ARKI para garantir cargos aos apoiadores. Atacados, os situacionistas citam redução no número de CCs e nomeação de secretários sem partidos. Por fim, contra-atacam com o mesmo veneno. E a sessão dessa terça-feira foi marcada por graves denúncias deste naipe.
Uma dessas denúncias tem um tom distinto: o confronto entre Sérgio Kniphoff e Ildo Salvi, ex-companheiros no PT. O primeiro segue como um dos ícones petistas na região. Já o segundo, que chegou a ser líder do governo municipal do PT na câmara, migrou para a REDE e já anunciou sua filiação ao PSDB. Em ação no plenário, farpas sobre as indicações políticas.

Hoje defendendo o Executivo, Salvi afirma. “O colega Kniphoff teve a esposa como Secretária durante os quatro anos do governo de Luís Fernando Schmidt, e a sobrinha atuando no Instituto Continental de Saúde (ICOS).” Por sua vez, o petista usou o pronunciamento para se defender e, sem citar as palavras do colega, afirmou. “Eu nunca indiquei ninguém para cargo no Executivo ou empresa terceirizada.”
Paulo Tóri (PPL) foi outro que cobrou explicações do governo municipal sobre eventuais problemas no contrato com a empresa Arki.

Entretanto, se depender da régua adotada recentemente, ele também tem muito a explicar ao contribuinte lajeadense. Em fevereiro de 2019, o vereador não votou na chapa da Situação para as Comissões Internas por um só motivo: o prefeito não havia garantido emprego a duas pessoas indicadas por ele.

Ainda nessa sessão, Mariela Portz (PSDB) cravou que Waldir Blau (MDB) indicou uma servidora da Secretaria de Meio Ambiente. Salvi também atestou que o agora vereador, Nilson do Arte (PT), foi indicado pelo ex-prefeito Luís Fernando Schmidt (PT) a um cargo na ICOS, até então responsável pelos postos de saúde. Salvi afirma, também, que Ranzi indicou a esposa de um primo para atuar no Executivo durante a gestão PT/MDB, e agora para o próprio Legislativo.

Mexer nessas indicações é como tocar em um nervoso vespeiro. E as consequências são imprevisíveis. Todos sabiam que seria assim. Mas parte da Oposição apostou neste abstruso jogo para tentar minar a campanha do prefeito à reeleição. Agora é tarde para evitar danos aos próprios opositores. O jogo de acusações só começou e deve ser ampliado na próxima sessão plenária. É hora de tirar os fatos a limpo na “Casa do Povo” dos lajeadenses.


Cidades inteligentes!

A Univates acerta em cheio com o evento “Crie Smart Cities”, de 31 de agosto a quatro 4 de setembro. A ideia é garantir subsídios acadêmicos para contribuir com o avanço de Lajeado e região. Haverá integração das semanas acadêmicas para tratar de cinco temáticas: transformações tecnológicas; governança nas cidades; mobilidade urbana; sustentabilidade; e qualidade de vida. Também serão avaliadas questões do Pro_Move, iniciativa que estimula a criatividade e o empreendedorismo para um novo ecossistema de negócios na cidade.


Rachadinha em Teutônia?

O vereador Hélio Brandão (PTB) (foto) ficou um ano e meio atuando como Secretário de Saúde de Teutônia – entre abril de 2018 e outubro de 2019. De volta à Câmara, resolveu “metralhar” os ex-colegas do Executivo. Para muitos, ele “cuspiu no prato que comeu” ao denunciar eventuais práticas dentro do poder público, como a cobrança de parte dos salários dos Cargos Comissionados. Pelo jeito, a eleição da Mesa Diretora ainda vai causar muita confusão…


Revoluções no interior

Na segunda-feira, a Câmara de Travesseiro aprovou a redução de 50% dos salários do prefeito, vice-prefeito, secretários municipais e vereadores a partir 2021. Se sancionada – ou promulgada –, a mudança reduzirá para R$ 5,2 mil o salário do prefeito; R$ 2,6 mil dos secretários; e R$ 1,4 mil dos vereadores. Inspirado nessa revolução, o vereador de Marques de Souza, Wilkins Gross (PTB) (foto), apresentou o mesmo PL no plenário. Diante do tamanho dessas cidades, essas mudanças são interessantes.


Informação é tudo!

Em Encantado, a vereadora Jaqueline Taborda (PDT) pede para que sejam colocadas placas de avisos as margens do Rio Taquari, orientando os banhistas sobre os locais perigosos para banho na praia do Picão e delimitando o espaço para a prática do Jet Ski nas proximidades. O mesmo bom exemplo já foi feito em Lajeado e Bom Retiro do Sul!

bravo