Sucessão

De pai para filho

Atuando 18 anos na arbitragem, Jair Welter, o “Pivi” realizou neste ano o sonho de ver o filho Richard seguir o mesmo caminho. Hoje apitam juntos nos campos e quadras do Vale do Taquari

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De pai para filho
Teutônia
Pensar O Vale

As histórias mais emocionantes do esporte normalmente são inspiradas em casa. Desde o filho que herda o time do coração. Ao jovem atleta que segue os mesmos passos. Ou até o pai que tem uma oportunidade de trabalhar ao lado do filho. Na arbitragem do Vale do Taquari isso acontece. Aos 21 anos, o estudante Richard Welter tornou-se o árbitro mais novo da região a atuar em um campeonato. A estreia foi em 2019, em um torneio realizado na Associação da Languiru. Neste ano, apitou o primeiro jogo ao lado do pai, em uma rodada do Abertão da Languiru.

Para o jovem árbitro, o pai foi a maior inspiração para seguir na carreira. “Sempre fui incentivado pelo meu pai e por árbitros que atuavam comigo, questionando porque não tinha feito algum curso para começar a apitar também, pois até então era só anotador”, disse Richard.

Ambicioso, quer se tornar árbitro da Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS) e apitar jogos da Liga Nacional de Futsal. “Preciso trabalhar muito para chegar aonde eu quero, aproveitar as oportunidades que a mim são dadas. Ainda sou jovem e tenho muito a aprender com colegas de arbitragem.”

Para percorrer esse longo caminho, Richard conta com o irrestrito apoio do pai Jair Welter, o “Pivi”, 50. “Apitar alguns jogos com meu filho é gratificante.” Pivi relata que o maior sonho sempre foi jogar uma partida em algum campeonato amador pela região ao lado do filho, como isso não foi possível, poder trabalhar na arbitragem em família é algo inexplicável. “É uma alegria muito grande, hoje ele está seguindo o que comecei, não tenho palavras para descrever o que senti na primeira vez que estivemos juntos em campo.”

História na arbitragem

Quase todos os esportistas conhecem o Pivi árbitro. Poucos sabem que antes de ingressar na arbitragem, se destacou nos campos amadores do Vale. Com 13 anos disputou o primeiro campeonato na categoria principal. Era o goleiro titular do Catarinense no municipal de Teutônia. Logo depois, passou por diversos clubes da região. De temperamento tranquilo, sempre foi o motivador do elenco e segundo ele, nunca arrumou confusão com árbitro. “Sempre fiquei nas goleiras, as vezes que saía era para bater falta ou pênaltis. Fiz muitos gols na minha carreira.”

Em maio de 2002, aos 32 anos, parou de jogar e, a convite de Wilfred Dannebrock, ingressou na arbitragem. O começo foi no veterano do Esperança, do Bairro Languiru, em Teutônia. Após se destacar, ingressou na Solar, de Lajeado, em 2003. E em 2004, atuou no Departamento de Árbitros de Teutônia. Após quase dez anos, em 2013, criou a própria empresa, a Pivi Arbitragem.

Dificuldades iniciais

Pivi comenta que a principal dificuldade que teve no inicio foi a falta de oportunidades. Até ser conhecido no Vale, apitava em troca de lanche e refrigerante após o jogo. O primeiro jogo que apitou foi o empate em 0 x 0 entre União da Germano e 11 Amigos. “Hoje é diferente, os árbitros que trabalham comigo atuam em vários campeonatos, ganham muitas oportunidades. A maioria teve sucesso na arbitragem.”

Sobre os gostos, Pivi prefere apitar jogos de futebol de salão, onde possui o registro na Federação Gaúcha. “Quero poder ajudar muito as pessoas para adquirir o conhecimento da regra, coisas que não tive muito no meu inicio de carreira.”

Jogo marcantes

O árbitro não recorda de quantos jogos apitou, mas alguns estão na memória. Entre eles está a final da Copa União. O time mandante perdeu o jogo de ida da final por 3 x 1 e o primeiro cartão amarelo foi apenas aos 39 minutos do segundo tempo. “Em 2010 emagreci bastante e fiz um excelente campeonato, fui coroado com essa final.”

Outro jogo marcante foi a final do futebol de areia em Maratá. Ao lado de Claudiomiro Carvalho, o “Duia”, saíram de campo aplaudidos por mais de mil pessoas. “O que mais me marcou nesse período na arbitragem são os amigos que fiz e os lugares que conheci. Não tem dinheiro que pague isso.”

Apoio da família

Casado há 23 anos com Sílvia Welter, Pivi explica que sempre teve o apoio da família, mesmo ficando ausente em alguns compromissos aos fins de semana. Conta que no começo, a esposa fazia cobranças pela ausência, mas com o passar do tempo apoiou e hoje ajuda no controle da empresa. “Ela entende que é uma fonte de renda. Trabalhando correto um casal consegue sobreviver somente com a arbitragem.”

Futuro

Trabalhando faz 19 anos na Esquadrias Baiana, em Teutônia, Pivi se aposentou em novembro de 2019. Agora planeja parar de trabalhar e se dedicar apenas a empresa de arbitragem, além de treinar os filhos para dar continuidade ao projeto iniciado em 2013.

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