opinião

Amanda Cantú

Amanda Cantú

Jornalista

Colunista do caderno Você

5 termos para falar sobre igualdade de gênero

Por

Vale do Taquari
Pensar O Vale

Um chalé próximo da cidade americana de Aspen foi o cenário de um episódio que inspirou a historiadora e escritora Rebecca Solnit a escrever um de seus livros mais famosos. Em 2003, durante uma festa, Rebecca foi questionada sobre o assunto dos últimos livros que havia escrito.

Quando começou a explicar que o mais recente falava sobre o fotógrafo inglês Eadweard Muybridge, foi interrompida pelo homem com quem conversava, que iniciou um discurso sobre um livro muito importante sobre Muybridge que havia sido publicado no mesmo ano. Foi preciso que uma amiga da escritora o interrompesse (mais de uma vez) para fazê-lo entender que era do livro da própria Rebecca que ele falava.

A situação, que deu origem à obra “Os Homens Explicam Tudo Para Mim” é um exemplo claro do que chamamos de Mansplaining. Em 2010, o termo entrou para a lista de palavras do ano do The New York Times, mas ainda há quem não faça ideia do significam este e outros termos comuns no vocabulário de quem fala sobre igualdade de gênero.

Como acredito na popularização da informação e na importância dela não só alcançar, mas ser compreensível a todos, não gosto muito da utilização de tais palavras. Para mim, elas não são inclusivas. Por isso, neste segundo momento da nossa série sobre micromachismos, decidi esclarecer alguns dos termos que você pode esbarrar por aí.

  • Mansplaining: quando um homem explica algo para uma mulher de maneira condescendente, porque dá como certo que sabe mais do que ela sobre, como no caso vivido por Rebecca.
  • Manterrupting: consiste em interromper a mulher diversas vezes em seu momento de fala, de forma que ela não consiga concluir a própria frase ou pensamento.
  • Manspreading: situação que comentamos na coluna da semana passada, quando, no uso de transporte público, muitos homens têm o hábito de sentarem-se com as pernas bem abertas, ocupando espaço no banco além do seu.
  • Gaslighting: não é um termo exclusivo do feminismo e também pode ocorrer com homens, mas é mais frequente em situações onde a vítima é mulher. O termo descreve a manipulação psicológica que faz você questionar sua inteligência, memória ou sanidade. Os famosos “você está louca” e “você está exagerando”.
    Misoginia: representa o desprezo contra as mulheres. O termo se relaciona com os outros aqui apresentados. Todos são consequências diretas da misoginia e refletem a batalha contra a discriminação que travamos todos os dias.
bravo