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O desafio de ficar em casa

Com as competições suspensas, atletas precisam se reinventar e manter a preparação física com trabalhos feitos em casa

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O desafio de ficar em casa
Brasil

Com a paralisação das atividades esportivas, tem sido comum os atletas manterem a forma física em casa. Com recomendações dos clubes ou até de preparadores físicos particulares, jogadores trabalham para estar em forma quando os jogos voltarem.

O principal foco de trabalho é a forma física. Ficar parado faz com que os atletas percam a forma, o ritmo de jogo e até possam ganhar uns quilos a mais. Por isso, é importante também haver um cuidado com a dieta. Como ainda não há a certeza de quando as competições irão voltar, cuidar do corpo é muito importante.

Gianluca Giovanella é um dos atletas do Vale que tentam manter a forma física em casa. Jogador do Lajeadense, ele havia estreado e feito uma boa partida no último jogo do Alviazul antes da paralisação. Agora, vive a indefinição sobre quando voltará aos campos novamente.

Treino diário e cuidado com a alimentação

Luca, como é conhecido, tem treinado todos os dias. Como um bom espaço em casa, consegue intercalar os treinos. “Um dia faço um treino mais de força, outro de potência, consigo também fazer atividades de habilidade e outras carências”, comenta.

Para treinar em casa, Luca usa materiais próprios como elásticos, bolas de equilíbrio e bolas de futebol. Também realiza treinos de natação para ajudar no fôlego. “Tenho também um preparador que trabalha comigo, que é o Marcelo Gomes, que faz um trabalho sensacional. Ele tem uns itens no estúdio, e como não estão sendo usados, está me fornecendo. Caixote para salto, pesos, cordas e outros itens”, diz o jogador.

Os treinos de Giovanella duram no máximo uma hora. Em alguns dias ele treina um turno, em outros dois. “Me sinto melhor quando treino dois turnos, então tento fazer isso quase todos os dias.”

O atleta já seguia um plano alimentar antes da paralisação do esporte, agora só está mantendo. “Cortei todo açúcar da minha alimentação. Tentei tirar os alimentos processados também. Sempre achei que fosse besteira, mas isso faz uma diferença enorme, principalmente na recuperação depois de um treino. Eu noto que o corpo se recupera muito melhor quando estou me alimentando bem”, avalia Giovanella.

“Temos que nos adaptar o mais rápido possível”

Natural de Encantado, Paulo Henrique Gianezini, o Paulinho, é goleiro do Criciúma, time catarinense que está na terceira divisão do Campeonato Brasileiro. Ele conta que a comissão técnica do clube preparou exercícios físicos para os atletas realizarem em casa, de modo com que eles percam o mínimo possível da forma física.

Os trabalhos consistem principalmente em treinos aeróbicos de cerca de 30 minutos. “Muito trabalho de padrão de movimento, estabilização corporal e mobilidades”, comenta o goleiro, que avalia que as atividades têm sido desafiadoras. “Não é a nossa rotina. Trabalhar sozinho exige muito da mente, de acreditar e visualizar que irei manter meu nível.”

Para os goleiros as atividades são ainda mais diferentes do que para um jogador de linha. Como usam muita potência e força, a tendência é que percam um pouco dessa parte. “Temos que nos adaptar o mais rápido possível. O treinamento para goleiro é difícil de fazer sozinho, então tenho que usar o máximo possível dos recursos que nos passaram”, comenta.

O maior problema para Gianezini tem sido a questão alimentar. O goleiro diz que sente muita fome, mas que precisa se controlar para, quando as atividades voltarem ao normal, estar dentro do peso ideal.

Paralisação em meio à boa campanha

Volante do Ypiranga, Henrique Schwarzer é natural de Arroio do Meio. Ele estava em meio à disputa do Campeonato Gaúcho, onde a equipe de Erechim fazia uma boa campanha, quando a paralisação iniciou.

Os atletas do Ypiranga também treinam sozinho em casa. “Nosso preparador físico passou uma cartilha para os atletas, procuro realizar ela à risca para estar bem fisicamente”, comenta o volante.

Os trabalhos consistem em atividades específicas de cerca de 40 minutos. São trabalhos de core, com trações, agilidade e alguns fundamentos especiais. “Também cuido para manter a dieta além dos trabalhos de fortalecimento.”

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